Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 11 L evantamento feito pela Brasil Energia mostra que, mesmo subtraída de Itaipu e das usi- nas nucleares Angra I e Angra II, a Eletrobras ainda gera cerca de um quarto de toda a carga do SIN em dife- rentes períodos do ano. Outra pesquisa, baseada nos dados da própria empresa e da EPE, revelou que, no horizonte de uma década, a perda de participação da estatal na ca- pacidade instalada de geração do país foi inferior a dois pontos percentuais, apesar da limitação recente de recursos para investimentos. De 2010 para 2020, a fatia da Eletro- bras caiu de 30,95% para 28,98%. Os números correspondem às diferenças entre os 35,08 GW e os 50,65 GW de capacidade instalada da empresa publi- cados nos Relatórios Anuais dos respec- tivos anos e à capacidade total do SIN em 2010 e 2020 que eram, respectiva- mente, de 113,33 e 174,74 GW, segun- do o Balanço Energético Nacional (BEN), elaborado todos os anos pela EPE. Sem as duas nucleares e a metade da capacidade da Itaipu Binacional, que fica- ram fora do leilão de privatização, a ca- pacidade da Eletrobras em 2020 cai para 41,65 GW, o que corresponde a 23,83% da capacidade instalada do Brasil. A En- gie, maior empresa privada de geração do país atualmente, conta com 10,79 GW de capacidade, o que corresponde a 6,2% da capacidade brasileira total. Na solenidade que marcou a sanção da Lei nº 14.182, que autoriza a privatização da holding pela modalidade de capitali- zação, o governo apresentou uma queda maior dessa participação, mas em anos diferentes. A redução, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), foi de 36% para 30%, de 2011 para 2019. A década de 2010 apresentou um forte incremento da capacidade de ge- ração elétrica no Brasil, com crescimen- to de 54,19%, de acordo com os da- dos do BEN referentes a 2010 e 2020. No mesmo período, a capacidade da Eletrobras acompanhou de perto es- se crescimento, aumentando 44,38%, com forte impulso das participações minoritárias nas estruturantes – Belo Monte, Santo Antônio e Jirau – e em usinas menores da Amazônia, como Teles Pires e São Manoel. Segundo o Relatório Anual de 2020 da estatal, sua capacidade de geração es- tava dividida em 91,3% de hídrica, 3,9% de nuclear, 3,3% de térmica, 1,4% de eólicas e uma participação residual de energia solar (cerca de 0,1%), corres- pondendo a 108 usinas em operação, de 125 no total. Da capacidade, 61,2% eram de geração 100% própria, 23,1% eram participações em SPEs e 15,7% em regime de controle compartilhado.

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