Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 39 mente da Alemanha, para o desenvol- vimento de mercados. No entanto, ao coletar informações sobre custos e competitividade por ro- ta tecnológica, percebe a existência de uma escolha estratégica relativa ao de- senvolvimento de mercado. Segundo a estatal de pesquisas, a rota com maior facilidade para o de- senvolvimento de novos mercados é a reforma a vapor do metano do gás na- tural – o hidrogênio cinza –, por ser do- minante e mais competitiva. “Todavia, essa rota enfrentará riscos no futuro relacionados a eventuais restrições em um cenário de descarbonização pro- funda (plantas novas podem virar ‘ati- vos encalhados’ – stranded assets) e de queda acelerada nos custos da eletróli- se da água baseada em renováveis va- riáveis”, aponta. Já o hidrogênio verde ainda não se- ria competitivo, mas é um caminho que apresenta grandes oportunidades no fu- turo num cenário de aceleração da que- da de custos de investimentos, tanto em eletrólise quanto na geração reno- vável. Cálculo da Bloomberg New Ener- gy Finance indica que o H2V poderia ser produzido a custos entre US$ 0,70/kg e US$ 1,60/kg na maior parte do mundo antes de 2050. Um white paper da Siemens Game- sa lançado recentemente aponta cami- nhos para que se possa reduzir o cus- to da produção do hidrogênio verde nos próximos 10 anos. O estudo Unlocking the Green Hydrogen Revolution estabe- lece um plano para entregar hidrogênio verde a partir da eólica onshore a um custo competitivo até 2030 e a partir da eólica offshore até 2035. Um dos pontos passa, naturalmen- te, pelo avanço da oferta de nova ca- pacidade renovável. “O mundo precisa de mais de 6.000 GW de nova capaci- dade de energia renovável instalada até 2050, ante os 2.800 GW atuais, para gerar a demanda esperada para hidro- gênio”, declarou a Siemens Gamesa. Outro ponto recai sobre o desenvol- vimento de uma cadeia de fornecedo- res, de forma que nenhum deles possa ser proprietário de todo o processo de produção e distribuição. “Atualmen- te, as iniciativas estão fragmentadas e, consequentemente, caras, o que signi- fica que empresas de energia renová- vel, fabricantes de eletrolisadores, pro- vedores de rede e especialistas em tra- tamento de água devem trabalhar em conjunto para a construção de uma ca- deia resiliente de fornecedores”, suge- re a fabricante. Olhando-se para o que já está em an- damento, observando o potencial brasi- leiro e o cenário de descarbonização pa- ra os próximos anos, o hidrogênio pode ser mais uma indústria em ascensão no Brasil, que já tem uma base renovável muito ampla e em processo de moder- nização do marco regulatório do setor de energia elétrica. Um mercado trilionário, renová- vel, abundante e de produção sim- ples nos espera. n
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