Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 51 ís sob risco de racionamento de energia e faz os olhos do mercado se voltarem para as térmicas a gás como alternativa segura de suprimento. Hoje, a energia térmica responde por 18% da geração elétrica. No entanto, apenas 9,3% correspondem a usinas de geração a gás natural. A crise acontece ao mesmo tempo em que a Aneel re- toma os leilões de energia, incluindo as térmicas a gás em licitações de energia nova ou existente. Ao mesmo tempo, o crescimento da oferta de gás no merca- do doméstico e abertura do setor, a par- tir do programa Novo Mercado de Gás, criam expectativas em relação ao uso do gás natural na geração térmica. Esse panorama tem movimentado o mercado. Usinas inativas, como a UTE William Arjona, no Mato Grosso do Sul, são reativadas para aproveitar a opor- tunidade gerada pela crise. Players im- portantes, como a GNA, por sua vez, confirmam o interesse em participar das próximas rodadas de leilões da Aneel. No longo prazo, a Gás Natural Açu, joint venture entre Prumo, BP, Siemens e SPIC Brasil, planeja instalar um parque de quatro usinas térmicas, com capaci- dade total de 6,4 GW, interligado a um terminal de GNL, a um gasoduto para recebimento do gás do pré-sal e conec- tado à malha de transporte terrestre, formando um hub de gás natural no li- toral fluminense. Para Daniel Slaviero, CEO da Copel, o gás natural terá um papel fundamental na segurança energética brasileira nos pró- ximos anos, comparado ao que aconte- ce na Europa e nos Estados Unidos, onde responde por cerca de um quarto da ge- ração de energia. Por isso, a empresa es- tuda participar dos leilões de energia nova previstos para dezembro, com a possibili- dade de geração térmica na base, ou se- ja, com funcionamento permanente, in- dependentemente do ciclo de chuvas. Slaviero, no entanto, é contrário à criação de mecanismos legais que tor- nem obrigatória a realização de leilões de térmicas a gás com geração na base. Justamente o que aconteceu com a in- clusão da obrigatoriedade de contrata- ção de 8 GW de energia térmica na ba- se, na Lei de Privatização da Eletrobrás, sancionada pelo presidente Jair Bolso- naro em julho. Segundo o CEO da Co- pel, medidas desse tipo oneram o con- sumidor. “É o tipo de decisão que deve- ria ser baseada apenas em estudos téc- nicos e na disponibilidade do insumo”. Por outro lado, outros setores, como a distribuição de gás canalizado, come- Nos leilões, ofertas de quase 40 GW contrastaram com uma demanda inferior a 200 MW
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