Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
52 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 TÉRMICA moram a medida, de olho em novas ân- coras de consumo. As distribuidoras vi- nham defendendo a previsão legal da geração térmica na base como ponto de partida para a interiorização do gás natural no país, desde a tramitação da Nova Lei do Gás. Joísa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação de Infraestrutu- ra (Ceri) da FGV e ex-diretora da Aneel, no entanto, alerta que o país pode estar superestimando o papel do gás natural na sua matriz energética, e que a inclu- são de novas ofertas na MP da Eletro- brás contraria o planejamento da EPE. “O gás tem de ser usado de forma racional na transição energética, com- plementando pontualmente a oferta re- novável, que é a verdadeira vocação do país”, argumenta Joísa. Ela observa ain- da que a pressão pela redução nas emis- sões de carbono poderia dificultar o fi- nanciamento dos projetos no longo pra- zo. “As instituições multilaterais de de- senvolvimento, por exemplo, estão re- vendo suas políticas nesse sentido”. Para Marcio Balthazar, sócio da con- sultoria NatGas Economics, a decisão de criar projetos térmicos com geração na base precisa ter racionalidade econômi- ca e deveria depender dos acionistas de cada empresa. Afinal, observa o consul- tor, o futuro das térmicas no país vai ser decidido pelo mercado. Fonte competitiva? Mas, o gás natural pode ser uma fon- te realmente competitiva para o setor elétrico? Balthazar responde que terá de ser, porque simplesmente não há alter- nativa que complemente a geração hí- drica com a mesma eficiência. “Vamos ter riscos de câmbio, de volatilidade de preços no mercado internacional e o pre- ço da energia vai refletir esses riscos, in- dependentemente do modelo escolhido para precificação do gás”, argumenta. Balthazar acrescenta ainda que, ape- sar das ressalvas feitas à geração térmi- ca por seu impacto ambiental, as ener- gias renováveis não têm escala suficien- te para complementar o suprimento de energia que os reservatórios hidrelétri- cos são incapazes de atender. “No fim das contas, a energia mais cara é aquela que você não tem e vamos precisar do gás para ter eletricidade na tomada.” Já Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, obser- va que seria possível aumentar a par- ticipação das térmicas a gás na matriz energética brasileira sem necessaria- mente aumentar as emissões de CO 2 . Em primeiro lugar, isso poderia acon- tecer por meio da substituição das usi- nas a óleo diesel e óleo combustível, mais caras e tecnologicamente ultrapas- sadas. Outro caminho seria com a ado- ção de tecnologias mais eficientes. Nes- se caso, o professor observa que temos uma contradição no modelo de geração térmica adotado até agora no país. Segundo Edmar, ao fazer contratos com despacho por disponibilidade, os investidores acabam adotando a tec- nologia de geração por ciclo simples,
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