Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
62 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 COMBUSTÍVEIS Além de ganhos em custos do frete em relação à rodovia, a Ferrogrão am- pliará a capilaridade de escoamento e apresenta uma vantagem ambiental em comparação ao modal rodoviário da BR- 163. “Historicamente rodovias criam ex- periências ambientais complicadas, ocu- pações ilegais, desmatamento. A ferro- via tem efeito contrário, porque não tem fluxo de pessoas ali, somente car- gas. Basicamente tem o mesmo impac- to na construção, mas sem os malefícios que as rodovias trazem”, explica D’Elia. Entretanto, o projeto não é unanimi- dade. Segundo Cláudio Frischtak, funda- dor da Inter B consultoria, os números submetidos ao TCU pelo governo fede- ral em relação a custos e retorno do pro- jeto passam longe do que seria o cenário real para o desenvolvimento da conces- são. Para ele, o projeto não tem retorno no formato apresentado. “A menos que se coloquem recursos públicos. Aí não é concessão, mas sim uma PPP”. Em relação à construção, Frischtak cita que a Transnordestina levará 20 anos para ser concluída em um am- biente muito mais simples. “No caso da Ferrogrão, há 72 quilômetros den- tro de um parque nacional e, ainda, um erro de projeto, onde ao menos dois quilômetros estão submersos durante alguns meses do ano devido às chuvas. A nossa experiência em construir ferro- vias é péssima, e some-se a isso o fato de construir na Amazônia”. Porém, caso o projeto saia do papel, Frischtak crê em ganhos de capacidade, mas pontua que serão necessários investi- mentos em outras infraestruturas para que o fluxo atendido pela Ferrogrão funcione plenamente. “Temos problemas na saída em Miritituba, porque hoje há engarrafa- mento lá. Também é preciso modernizar as rodovias 163, 364 e a saída nos portos. Se- riam necessárias melhorias”. Impasse O projeto da Ferrogrão enfrenta resistência por conta de possíveis im- pactos socioambientais. O Ministério Público Federal questionou a falta de diálogo do governo com a comuni- dade indígena, e o STF concedeu li- minar suspendendo o processo. Exis- tem ainda questionamentos sobre gastos que possam recair sobre o go- verno federal. Incluído no PPI (Programa de Parce- rias e Investimentos) em 2016 como uma opção de escoamento de grãos e outros produtos, o certame do projeto era esperado para o segundo trimestre do ano. Mas as disputas jurídicas dei- xam incertezas sobre o leilão. n Em 2030, a Ferrogrão deverá transportar cerca de 2,5 milhões de m³ de combustíveis
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