Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 65 que pagam 7%. Ao se juntar impostos pa- ra importação, o que nesse momento de produção local quase inexistente seria a so- lução, o resultado é que um veículo elétri- co no país no mínimo dobra de preço. Na avaliação do presidente da As- sociação Brasileiro dos Veículos Elétri- cos, a ABVE, Adalberto Maluf, a políti- ca tributária sobre a eletromobilidade mostra o total descolamento do pa- ís com o que está acontecendo com o resto do mundo. E ele inclui nesse grupo de países não só os desenvolvi- dos, mas vizinhos do Brasil como Chi- le e Colômbia, que implementam com sucesso programas de eletrificação de transporte público. Aliás, segundo levantamento do insti- tuto de pesquisa WRI Brasil, no caso dos ônibus, porta de entrada para a eletromo- bilidade na maioria dos países, o impos- to de importação para o veículo elétrico completo é de 35%. Mas a taxação não para por aí. Há alíquotas de IPI que variam de 7% a 25%, mais de 15% de PIS-Co- fins e 20% de ICMS, único imposto esta- dual da lista. Para Maluf, além da falta de incenti- vo, outra sinalização errada de política pública é o país estimular a ineficiência energética, com política tributária que beneficia a produção de carros flex com baixa cilindrada, no caso os de motor 1.0, já considerados obsoletos mundial- mente e que hoje perdem em eficiên- cia energética para carros com mais po- tência. Isso sem falar que o pretexto da política de incentivar o uso de biocom- bustíveis em carros leves também não se mostra bem-sucedido, já que a maio- ria dos usuários de veículos flex opta pe- la gasolina na hora de abastecer. Além disso, segundo o executivo, tam- bém diretor de marketing da filial brasileira da chinesa BYD, fabricante de ônibus elé- tricos, o critério de peso dos carros na gra- duação de impostos foi incluído no progra- ma federal Rota 2030, aprovado em 2018 – isso supostamente beneficiaria a eficiên- cia energética, pois reduz tributos em car- ros mais leves e que, na teoria, consomem menos combustível. Mas na verdade, con- tinua Maluf, a política penalizou os carros elétricos e híbridos plug-in, que por conta das baterias são mais pesados. Números pífios O descaso com a mobilidade elétri- ca se reflete nos números do setor no Brasil, ínfimos em comparação ao que vem acontecendo no mundo de forma acelerada nos últimos anos, inclusive no Chile e Colômbia, que estão com políti- cas em implantação. Embora nos primeiros cinco primei- ros meses de 2021 o país tenha aumen- tado em 67% a venda de carros eletri- ficados, com 10.392, contra 6.235 do mesmo período do ano passado, para Maluf o resultado precisa ter outra lei- tura. Isso porque, do total vendido, a grande maioria são carros híbridos, cer- ca de 70%, não considerados elétri- cos nas métricas globais da AIE, por te- rem motores a combustão como acio- namento principal e que, em funciona-
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