Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
66 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 MOBILIDADE mento, alimentam a bateria de motor elétrico para uso secundário. Dessa forma, os carros de fato elétricos vendidos no país, o que inclui também os híbridos plug-in (commotor a combustão, mas com plug para conectar de forma in- dependente o motor elétrico à eletrocar- ga), representam 0,3% das vendas totais de veículos do país. Incluindo os híbridos, na alcunha utilizada no Brasil de eletrifica- dos, a participação sobe para 1%, cerca de 19.800 veículos, sendo que desse total os 100% elétricos são até junho de 2021 apenas 801 carros, ou 0,03%. Em comparação com o que está ocorrendo no mundo, onde há 10 mi- lhões de carros elétricos e 600 mil ôni- bus elétricos a bateria em circulação, o mercado perde ainda mais importância. Na Europa, por exemplo, a participa- ção na venda de carros elétricos passou de 3% no começo de 2020 para 22% em 2021. Em alguns países, a participa- ção é ainda maior, como na Noruega, com 74% (e plano de proibir venda de carro a combustão até 2025); Islândia, com 45%; Suécia, com 30%; ou Ale- manha, que passou de 13,5% de 2020 para passar a vender acima de 22% no primeiro quadrimestre deste ano. Isso sem falar da China, que vendeu 6,2% de elétricos na média de 2020 e neste ano já registrou aumento de 400%, es- tando agora com média acima de 10%. Além do efeito ambiental, a falta de po- lítica de mobilidade, para o presidente da ABVE, coopera também com a desindus- trialização do país. Maluf cita por exem- plo o caso da Mercedes-Benz, que fechou em dezembro de 2020 uma fábrica inau- gurada há menos de cinco anos em Irace- mápolis (SP), que produzia linha de carros de passeio. Com plano global de produzir apenas veículos elétricos, e sem ver disposi- ção do Brasil em implementar uma política para o setor, a empresa optou por descon- tinuar a unidade moderna no interior pau- lista, que inclusive era autossuficiente em energia com sistema de cogeração a gás. Também a Ford, embora tenha ale- gado fechar sua operação brasileira por conta da crise econômica, está fazendo coincidentemente vários lançamentos de carros elétricos, incluindo uma pick- -up e o famoso Mustang versão elétrica. Transporte público O melhor caminho para o Brasil aderir à eletromobilidade é começar pelo trans- porte público. O efeito econômico, am- biental e de saúde pública nas grandes cidades seria imediato, tendo em vista a substituição do diesel consumido pe- los ônibus, que apesar de responderem por parcela mínima da frota de veículos em circulação, são responsáveis em mé- dia por 30% das emissões de poluentes. E esse caminho não é impossível para o Brasil, restrito a cidades de países mais desenvolvidos. Apesar de haver muitos exemplos distantes, como Shenzen, na China, que entre 2010 e 2017 eletrificou todos os seus 16.359 ônibus urbanos e 21.485 táxis, as cidades de Bogotá, na Colômbia, e Santiago, no Chile, estão colocando em prática projetos similares.
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