Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
74 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 ENTREVISTA EBERALDO DE ALMEIDA NETO que paga tributo. Nos últimos dez anos, foram recolhidos R$ 1,8 trilhão em tributos. Na sua avaliação a reforma tributária pode im- pulsionar também o debate sobre conteúdo local? O conteúdo local é muito importante, é um item que tem que ser debatido com profun- didade. Entendo que as empresas de petróleo terem fornecedores competitivos no Brasil é o melhor dos mundos. A gente vivencia isso no setor de subsea e de equipamentos submarinos de maneira geral, e vê que isso é um grande ganho. Ter um fornecedor aqui do lado, traba- lhando junto com você, desenvolvendo novos produtos… Isso é o nirvana para o produtor. Naturalmente, em algumas outras áreas temos dificuldades, e esse trabalho tem que ser feito. É um trabalho de política industrial, a ser realizado com profundidade. Acredito que a questão do conteúdo local tem que ser discu- tida sim e acredito que o IBP vai se inserir nes- sa discussão, junto a outras entidades, e en- xergamos mecanismos para levar ao órgão re- gulador que consigam, de fato, gerar um am- biente que incentive a ampliação e a criação de fornecedores, com a sustentabilidade da cadeia, para que ela possa atender o mercado de O&G fora do Brasil e a outros setores tam- bém. Temos que mirar nos casos de sucesso e ver o que outras áreas precisam. Mesmo sendo um ano difícil, com tendên- cia de que pautas sensíveis acabem paralisa- das pela turbulência do cenário político? Mesmo tendo questões diversas que são alheias às nossas vontades e também necessá- rias e importantes à democracia. A gente en- tende que há no Parlamento questões que são muito importantes e que terão continuidade. Temos visto questões evoluírem independen- temente das turbulências que acontecem, que são inerentes ao processo e independentes da nossa vontade. O trabalho do IBP junto às ins- tituições se dá – e aí de maneira bastante cla- ra – levando informações técnicas e o posicio- namento da indústria, não o posicionamento de setores ou de empresas A ou B. Um estado como o Rio de Janeiro, que tem 45% do PIB dependente da indústria do petróleo, importa muito atrair investimentos e fazer girar a eco- nomia, pois isso reflete positivamente em to- dos os setores do estado. O sr. assumiu o comando do IBP há pouco tempo, mas dá para fazer um exercício do que o Instituto quer entregar ao seu substituto, em junho de 2023? Apesar de serem dois anos de mandato, ob- viamente pode haver recondução ou não, mas isso é uma outra questão, eu quero olhar para trás e falar que a gente conseguiu contribuir bastante com o ambiente de negócio, conse- guiu atrair muitos investimentos e iniciar um processo de transformação no downstream, que é algo totalmente novo com essa abertu- ra do refino no Brasil, com vários players, com um setor muito mais dinâmico e vibrante, onde as empresas vão vislumbrar oportunidades e in- vestir para isso, gerando mais eficiência. Na parte do E&P, focar em uma agenda que de fato consolide o aproveitamento da janela para monetizar as reservas no Brasil, porque não tenho dúvida nenhuma que muito óleo vai ficar em subsolo em todos os países produ- tores quando o petróleo deixar a significância que ele tem hoje na matriz energética. n
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