Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 87 A persistente escassez hídrica em regiões outrora de abun- dante pluviosidade, dificultan- do a reposição dos reservató- rios que fizeram das hidrelétricas a base do sistema elétrico brasileiro e culminando com a iminência este ano de um racionamento após exatos 20 anos da última ocorrência semelhante, reavivou o debate sobre o pa- pel das UHEs na expansão da geração elétri- ca do país. Segundo os estudos de inventá- rio hoje disponíveis, há um potencial hídrico inexplorado de 52 GW, conforme quantifi- cado pela EPE no PNE 2050. Embora a própria estatal reconhe- ça que, com base em simulações, gran- de parte desse potencial possa não se via- bilizar, seja por razões ambientais, sociais ou econômicas, ela admite que uma par- te dele deve ser considerada factível e im- portante na equação elétrica brasileira. O mesmo ponto de vista, porém com nuances específicas, foi manifestado por alguns analistas e estudiosos do se- tor ouvidos pela Brasil Energia . Como a EPE, eles entendem que a crise não inviabiliza novas hidrelétricas, apenas acrescenta um elemento a mais de aná- lise na hora da tomada de decisões. Do potencial identificado no PNE 2050, a Aneel tem nos seus registros de tramitação de projetos 58 UHEs, totali- zando 19.919,77 MW. Dessas, 20 são usinas com mais de 100 MW de capaci- dade instalada, sendo a menor, Telêma- co Borba, no rio Tibagi, Paraná, com 109 MW, e a maior, São Luiz do Tapajós, gi- gante de 8.040 MW no rio Tapajós, Pa- rá. No total, elas somam 17.328,92 MW. As outras 38 UHEs com estudos e pro- jetos tramitando na agência reguladora têm entre 27 e 96,6 MW. O atual gover- no incluiu cinco das 58 usinas em estudos no Programa de Parceria de Investimentos (PPI), o que significa, entre outras coisas, que elas estão tendo apoio federal para obter o licenciamento ambiental. Segundo a EPE, das cinco, Telêmaco Borba e Tabajara (400 MW, rio Ji-Para- ná, Rondônia) estão em fase de obten- ção de licença prévia. Castanheira (140 MW, rio Arinos, Mato Grosso) está em fase de análise do EIA/Rima pelo ór- gão ambiental do estado. As outras du- Agência Brasil

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