Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

92 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 CONSUMIDORES O custo da energia está mi- nando ano após ano a com- petitividade da importante e eletrointensiva indústria de cloro-soda do país. Estudo da Ex An- te Consultoria, feito sob encomenda para a Abiclor, apontou que a produção brasi- leira de cloro, álcalis e derivados caiu em torno de 34% entre 2001 e 2019, perí- odo avaliado pela consultoria e duran- te o qual o PIB brasileiro cresceu 14,3%. No mesmo período, o custo em dólar por MWh da energia do setor subiu mais de 134% e a tarifa média de energia elétrica paga pela indústria de cloro-soda cresceu 292%. Com variação média anual no va- lor do insumo de 7,9%, acima da inflação média de 6,3%, o aumento acumulado real foi de quase 100%. A relação direta com a energia para a perda de competitividade do setor é expli- cada por seu peso fundamental no pro- cesso de eletrólise da solução da salmou- ra (sal com água), pelo qual uma passa- gem de corrente elétrica separa o cloro e gera como subprodutos a soda cáustica (em relação de 1,1 t de soda para cada 1 t de cloro) e o hidrogênio. A estimativa é a de que a eletricidade representa quase 40% do custo produtivo do setor. No Bra- sil, há sete fábricas de cloro-soda e os líde- res são Braskem, Unipar e Dow Química, com cerca de 90% do mercado. Esse panorama, com queda na produ- ção, derrubou a participação da indústria brasileira no consumo de cloro e da so- da em particular. Em 2009, a indústria na- cional atendia a 62,9% do consumo to- CLORO-SODA COM A CORDA NO PESCOÇO Setor se preocupa em não conseguir atender nova demanda do saneamento e recorre a projetos de autoprodução para fugir de encargos POR MARCELO FURTADO

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