Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021
94 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 CONSUMIDORES lumes de tubos, adutoras e conexões de PVC, cuja matéria-prima básica é o cloro. Portanto, sem cloro (que também é utili- zado tradicionalmente em desinfecção da água, em volumes menores), a indústria nacional não terá como expandir sua pro- dução de PVC, o que fatalmente aumen- tará as importações, seja na forma de resi- nas ou dos materiais acabados. Esse cená- rio tornará o custo da universalização do saneamento muito alto e deixará a indús- tria nacional ainda mais debilitada com o aumento das importações. Energia mais barata O estudo da Ex Ante aponta que não há alternativa para aumentar a competitivida- de do setor se não tiver à disposição energia mais barata. Como argumento, os pesqui- sadores simularam os efeitos da redução do custo de energia com a retirada dos encar- gos setoriais. Com capacidade instalada em queda, hoje em 1,5 milhão de t/ano, com a simulação de redução de 44,3% no custo da eletricidade, o setor voltaria a ter capaci- dade de investimento e ampliaria a produ- ção. Isso ocorreria porque as despesas com energia cairiam do patamar de 11,5% do valor da produção em 2018 para 6,4%, ní- vel ainda superior ao dos países europeus e dos Estados Unidos. Para o diretor executivo da Abiclor, Mar- tim Afonso Penna, a recuperação na capa- cidade de investir é urgente para o país não se desindustrializar em um setor importan- te e tornar-se dependente de importações. Para se ter uma ideia, entre 2017 e 2018 o setor registrou queda de quase 60% nos investimentos (de R$ 212,3 milhões para R$ 85 milhões), refletindo a estimativa de que, a cada 10%no aumento do preço da energia, o estoque de capital cai 6,1%. A possibilidade de investir seria fundamen- tal para atender a expansãodademanda com a universalização do saneamento. Isso por- que, mesmo o setor estando hoje com ocio- sidade elevada (a ocupação das fábricas está em 61%), a estimativa do estudo é a de que precise de mais 600 mil t/ano para atender às novas necessidades que surgirão com a ex- pansão da rede de coleta e tratamento de es- goto e de captação e distribuição de água. Segundo o estudo, para aproveitar a oportunidade de até dobrar a capaci- dade produtiva do setor e assim suprir a nova demanda do saneamento, o preço da energia precisaria ficar entre US$ 30 e US$ 40 o MWh, sendo que hoje o custo oscila em não menos que US$ 50/MWh. Autoprodução O peso crescente da energia no cus- to desses grandes consumidores livres in- centiva a busca por soluções alternativas. Uma que está sendo muito adotada pelos competidores é a aposta em PPAs em projetos eólicos e solares, com ener- gia barata, e na maioria das vezes entran- do como sócios na figura de autoproduto- res, para escapar dos encargos setoriais. A Braskem, para começar, assinou em janei- ro contrato de mais de R$ 1 bilhão com a Casa dos Ventos que inclui PPA de 20 anos para consumir energia do parque Rio do Vento, no Rio Grande do Norte, de 504 MW, do qual a petroquímica entrará como
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