Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

106 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 RESÍDUOS URBANOS Juiz de Fora (MG), e vai converter resíduos oriundos de carros triturados, para substi- tuir 50% dos combustíveis fósseis (gás na- tural e GLP) em caldeira que gera vapor pa- ra usina de zinco. Mas há mais quatro contratos já assina- dos, sendo três para processar resíduos só- lidos urbanos de cidades, duas no estado de São Paulo e uma no Rio Grande do Sul. Nesses casos, os projetos envolvem a cons- trução de ecoparques, nos quais há central de recebimento do lixo, de triagem com cooperativas de reciclagem e etapa de se- cagem que remove umidade dos resíduos. O resultado disso, além do aproveitamen- to dos recicláveis, é a geração do chama- do CDR (combustível derivado de resíduo), com maior poder calorífico e que alimenta o reator. Os projetos nos municípios entrarão em operação até o fim de 2022 e conta- rão com usinas termelétricas para gerar energia a partir do syngas. No Rio Gran- de do Sul, serão processadas 280 tone- ladas por dia de resíduos urbanos, com usina de 12 MW, nos de São Paulo se- rão um de 40 t/dia (2 MW) e outro para 230 t/dia (10 MW). Sem poder revelar os nomes das cidades, Tchernobilsky revela que haverá uma captação de R$ 250 mi- lhões para os projetos, sendo a controla- dora Capitale a responsável pela opera- ção financeira. O foco da empresa é vender o serviço para indústrias e para cidades de 12 mil até 500 mil habitantes. Como os reatores são modulares, com capacidade padrão para 50 t/dia, é possível colocar por exem- plo cinco reatores para atender o proces- samento de 500 t/dia de lixo urbano, vo- lume gerado por 500 mil pessoas em mé- dia. Cada tonelada de resíduo pode gerar de 1 MW a 2 MW. Potencial gigantesco A expectativa da cadeia de fornecedo- res com o mercado futuro não é fortuita. Embora o Brasil ainda não tenha nenhu- ma usina de WTE, e a URE Barueri seja a primeira a entrar em operação (segundo a Orizon, dona do projeto, a ideia é ter a usi- na pronta antes do obrigatório, em 2025), o potencial é muito grande. Segundo o consultor Flavio Matos, também conselhei- ro da Abren, somente nas 28 regiões me- tropolitanas do Brasil, com mais de 1 mi- lhão de habitantes, onde são geradas 39 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano (53% do total), há a pos- sibilidade de se implantar 129 usinas de 20 MW de potência média. Neste cenário, se- ria possível acrescentar cerca de 2,6 GWna matriz e os investimentos atraídos seriam de R$ 80 bilhões. Para Matos, o potencial não se limita a essas regiões. Municípios que se consor- ciam, como é o caso do projeto Consima- res (Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropoli- tana de Campinas), de 22 MW, não con- tratado no leilão A-5 e que reúne 7 cidades do interior paulista, também criam escala mínima de viabilidade econômica para usi- nas WTE, ou seja, por volta de 600 a 700 toneladas por dia de resíduos. Trata-se de um grande mercado adicional a ser criado.

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