Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 105 de revestimento em caldeiras de recupera- ção química da indústria nacional de papel e celulose, que utiliza como combustível o agressivo licor negro (resíduo da celulose). Para as cidades menores A solução das usinas de grande porte com incineração (mass burning) precisa de escala para se tornar viável, acima de 600 t/dia de resíduos sólidos urbanos. Isso faz a tecnologia ser aplicada em cidades acima de 600 mil habitantes ou então em consór- cios de municípios que reúnam essa popu- lação. Para cidades menores, não interessa- das em se consorciar, e que resolvam dei- xar de lado os aterros (ou os lixões, caso co- mum no Brasil), há outras soluções térmicas já disponíveis, como a pirólise e a gaseifica- ção, processos com a capacidade de trans- formar até 95%dos resíduos emgás de sín- tese (syngas) ou óleo de pirólise. As tecnolo- gias são total ou parcialmente ausentes de oxigênio e por conta disso sem emissões, já que não se trata de combustão. Uma oferta com potencial é da Zeg Ambiental, do grupo Capitale Energia. De- pois de alguns anos de desenvolvimento, a empresa criou uma solução própria, já com seus primeiros fornecimentos, e que seria um meio termo entre a pirólise e a gasei- ficação. Segundo o diretor da Zeg, André Tchernobilsky, a solução foi criada a partir da reengenharia da pirólise (processo tér- mico com ausência de oxigênio) para tor- nar o processo mais eficiente, sem gerar o chamado óleo de pirólise, que precisaria ser refinado e comercializado, e ter como resultado um gás (syngas) com maior po- der calorífico para uso como combustível. No reator, com núcleo superaqueci- do a 1000º C, o equipamento batizado de FlashBox, fornecido em contêiner de 40 pés e instalado na configuração plug and play, recebe os resíduos, que no caso dos urba- nos passam por triagem para retirar reciclá- veis e umidade, que são convertidos emgás no ambiente com entrada de oxigênio con- trolada, gerando como subproduto apenas entre 5%e 7%de cinzas inertes. A tecnolo- gia é oferecida como serviço, a Zeg faz todo o investimento (R$ 15 milhões) e cobra pelo tratamento do resíduo. Segundo Tchernobilsky, dois sistemas entrarão em operação neste ano para uso em indústrias. O primeiro, que será inau- gurado ainda em agosto, será em empresa do grupo Ouro Fino, em Uberaba (MG), e processará até 50 t/dia de resíduos perigo- sos de agroquímicos, como bombonas e sementes contaminadas. O syngas gerado substituirá 100% do GLP empregado em incinerador de resíduos hospitalares. O segundo projeto, previsto para outu- bro, é na Nexa (ex-Votorantim Metais), em O FlashBox, da Zeg Ambiental, que recebe os resíduos que são convertidos em gás no ambiente com entrada de oxigênio controlada
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