Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

104 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 RESÍDUOS URBANOS com foco emWTE que, a exemplo da B&W, da Hitachi Zosen Inova, Veolia e da Sacyr, se associou neste ano à Abren, entidade cria- da em 2019 para defender os interesses do ainda imaturo mercado brasileiro. B&W se estrutura O caso da Babcok & Wilcox é bastante emblemático do momento. Uma das líde- res globais, com mais de 500 fornecimen- tos para WTE, a empresa conta com um executivo no Brasil para estruturar a ope- ração, coordenar os contatos com a cadeia futura de suprimento e, enfim, se preparar para a possível criação do mercado, inclusi- ve conversando com os donos de projetos de usinas que participarão do leilão. Segundo o responsável pela B&W, Mar- cos Peraceli, não haverá dificuldades pa- ra desenvolver os projetos, pois há local- mente indústrias capazes de atender boa parte das demandas para construção dos sistemas das novas usinas. Além disso, há globalmente soluções rápidas e de custo competitivo para completar as necessida- des dos projetistas. No Brasil, por exemplo, há condições de se encomendar turbinas a vapor de alta qualidade e nas potências necessárias. Is- so porque um empreendimento de gran- de porte, com caldeira capaz de processar 1 mil toneladas por dia de lixo urbano, se- gundo Peraceli, tem combustível suficiente para uma potência de 30 MW. Empresas como Siemens e TGM produzem no Brasil turbinas desse porte. Tambémno outro sistema importante da usina, o de controle de emissões, responsá- vel por até 50% do capex, há empresas ca- pacitadas que fabricam equipamentos pa- ra retenção de particulados, como os preci- pitadores eletrostáticos e filtros de manga, amplamente utilizados em outros setores industriais. O mesmo ocorre nas demandas de controle de emissões de enxofre (des- sulfurizadores) e de NOx (catalisadores). De acordo com o executivo, a maior parte das tecnologias têm produção local e alguns polos industriais, como o de Sertãozinho, no interior paulista, que atende a demanda de caldeiraria do setor sucroenergético, de- verá ser útil para os futuros fornecimentos. Apenas em alguns itens mais específi- cos da engenharia das usinas poderá ser mais complicado encontrar fornecedor lo- cal, como em partes internas das grelhas móveis, onde os resíduos caem dentro da caldeira para serem incinerados e que exi- gem revestimentos especializados. Mas mesmo assim, segundo Peraceli, há forne- cedores globais – e mesmo a B&W, com fábricas no México, Índia e China – que podem atender com facilidade as deman- das específicas, a um custo viável. A caldeira e o sistema de combustão são o coração da usina e onde há a engenharia mais especializada em razão do ambiente agressivo provocado pela incineração dos resíduos. Por conta disso, ela precisa ser re- vestida com ligas metálicas de inconel (ní- quel-cromo), que resistem à alta corrosivi- dade dos gases ácidos formados dentro da caldeira. Mas nesse caso, havendo necessi- dade, há fornecedor local do revestimen- to, a empresa AZZ, com unidade em Ba- rueri (SP), que atende a mesma demanda

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