Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 17 Mas a necessidade de abraçar as duas tecnologias simultaneamente tem a ver principalmente com a imensa sinergia entre elas. Basta entender que a eólica offshore é uma fonte apontada como de “geração no atacado”, ou seja, comprojetos na casa dos gigawatts, com seus imensos aerogerado- res que chegam a até 15 MW de potência. O hidrogênio verde, da mesma forma, tem demanda e perfil de viabilidade de produção na casa das milhões de tonela- das, com uso diverso e global, tanto para fins energéticos, como combustível para transporte ou para geração e armazena- mento de energia, quanto para uso in- dustrial, nos mais variados setores, sejam eles a indústria de fertilizantes, química ou siderúrgica, entre várias outras. O casamento entre os dois, portanto, é perfeito. As eólicas offshore têm ener- gia suficiente para alimentar os eletrolisa- dores, totalmente dependentes da eletrici- dade em larga escala para separar as mo- léculas da água em hidrogênio e oxigênio. Além disso, com os aerogeradores no mar, há complemento dos hubs de H2V que se- rão construídos em regiões portuárias pa- ra facilitar o escoamento da produção para os centros consumidores via navios. Não à toa, vários projetos no mundo, entre os maiores e mais importantes que são anunciados um atrás do outro nos úl- timos dois anos, têm sido concebidos para unir parques eólicos offshore com unidades de eletrólise para produção de hidrogênio construídas em plataformas marítimas. Um segundo modelo de projeto tam- bém comum prevê a eletrólise instala- da onshore – em regiões portuárias que podem escoar o H2V, muitas vezes na forma de amônia líquida para exporta- ção, ou via tubulação como gás – para receber a energia dos complexos eólicos offshore via transmissão submarina. Em uma terceira frente, indústrias de óleo e gás, interessadas na transição ener- gética, projetam implantar usinas eólicas offshore em suas áreas de domínio e ins- talar em suas plataformas unidades de eletrólise para o hidrogênio verde. Trata- -se de um movimento de sinergia entre fontes que deve ser cada vez mais comum no médio e longo prazo. Exemplos Do total de aproximadamente 26 projetos de hidrogênio verde anuncia- dos no mundo (número que aumenta a todo o momento), com 260 GW de capacidade total, segundo levantamen- to da revista Recharge, vários deles têm em sua concepção a sinergia entre eó- licas offshore e unidades de eletrólise. O projeto NortH2, da holandesa Shell, da norueguesa Equinor e da concessioná- ria alemã de energia RWE, líderes do em- preendimento na Holanda, é um deles. No seu escopo, está prevista a implanta- ção na costa holandesa, para atender a uma produção projetada de 1 milhão de t/ano de hidrogênio verde, um total de 1 GW de eólica offshore até 2027, volume que sobe para 4 GW em 2030 até che- gar a 10 GW em 2040. A meta principal do projeto é suprir de hidrogênio a indústria pesada da Alema-

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