Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
28 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 PETRÓLEO U m dos maiores desafios da indústria de petróleo em ter- ra atualmente é a recupera- ção secundária com injeção de água para aumento da produtivida- de dos poços. Para que isso seja possível, é preciso que o operador tenha pleno conhecimento do reservatório onde es- tá operando, normalmente por meio da sísmica, e que ele tenha automação no campo em questão, para melhor acom- panhamento dessas atividades. Essas são duas das várias vertentes que a indústria está estudando em ter- mos de novas tecnologias para o onsho- re, que acabam sendo o aperfeiçoamen- to de soluções que já existem e que, em alguns casos, já estão sendo usadas. A Imetame, por exemplo, já come- çou a realizar essas atividades no Po- lo Lagoa Parda, que foi comprado da Petrobras em outubro de 2019. “Para nossa surpresa, percebemos que o nível de automação era muito baixo. Então, nós começamos a fazer um processo de automação poço a poço, com o intui- to de ganhar tempo, dinheiro e, simul- taneamente, aumentar a segurança do ativo”, afirmou Miguel Nunez, diretor operacional da Imetame, em entrevista à Brasil Energia . O processo de automação, no qual a quantidade de bombeio é aumentada e o processo de tratamento de óleo em superfície melhorado, já influenciou os resultados da produção do Polo nos cin- co primeiros meses, saindo de 100 bar- ris, em média, na época da Petrobras, para 400 barris, em média, durante a operação da Imetame, mesmo com o alto corte de água (98%). “Esses 2% estão realmente fazendo a diferença”, afirmou o diretor operacional. O investimento em automação é reite- rado por Anabal Santos Júnior, secretário executivo da Abpip, que explica que essas tecnologias não são inéditas, mas pode- riam estar sendo usadas em maior esca- la. “Existe uma expectativa de as opera- doras independentes aumentarem a pro- dução dos ativos onshore que receberam da Petrobras. E isso tem várias causas, sendo que uma delas é que esses cam- pos e poços estavam parados, muitas ve- zes, por falta de acompanhamento, inves- timento e pesquisa. Acredito que o segre- do de uma boa performance nos campos onshore é justamente o acompanhamen- to da produção”, opinou. Quando se fala em acompanhamen- to da produção, não se trata somente de trocar uma bomba ou uma coluna de perfuração. É muito mais do que isso, e o papel das universidades e startups é essencial para esse movimento, como veremos posteriormente. Dados sísmicos, insumo essencial Devido ao entusiasmo com a Indús- tria 4.0, com a transformação digital e com a automação, é possível esquecer da base para que essas tecnologias se desenvolvam. Isso acontece no onsho- re, por causa de um problema já conhe- cido: a escassez de dados sísmicos que, em bacias maduras, acabam sendo da-
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