Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
60 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 ENTREVISTA WILSON FERREIRA JR. escuros, que geraram um pacote de reduções adicionais de quase R$ 500 milhões. Em termos de visão de longo prazo, contrata- mos uma consultoria para analisar o cenário de transição energética. Fizemos a nossa avaliação e concluímos que o processo de transformação da matriz global de energia terá um tremendo im- pacto nos combustíveis, com reflexos diretos na- queles mais pesados, como óleo combustível e diesel. Diante disso, as perspectivas são de cres- cimento dos mercados de gás (e GNL) e contínua evolução dos biocombustíveis. Há, claro, o tema da energia elétrica, uma indústria que vive um processo de liberalização cada vez maior. Nossa meta, portanto, é nos posicionarmos frente aos combustíveis que terão papel fun- damental na transição energética, como GNL, etanol, energia elétrica e biometano. Quais foram os outros reflexos que a em- presa percebeu após ter o seu capital diluído na Bolsa? Em linhas gerais, qual a perspectiva da Vibra em atuar como uma corporate, como acontece hoje com a Light, por exemplo? Desde a saída da Petrobras do controle acio- nário da companhia, houve a adoção de práticas de corporation. Desde então, há nove conselhei- ros independentes no Conselho de Administra- ção (CA), com competências alinhadas à estraté- gia da empresa, bem como três comitês de asses- soramento ao CA – estes, por sua vez, possuem um advisor externo. Todos os conselheiros, dire- tores e gestores são avaliados anualmente. A Vibra se tornou uma das 20 maiores ações negociadas na B3. Após a pulverização do capital, 2.700 investidores institucionais e mais de 67 mil pessoas físicas passaram a ter seus interesses atrelados à companhia. Segui- mos, portanto, as boas práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), buscando aprimorá-las cada vez mais. A Vibra está entrando ou estudando projetos de etanol, biometano, energia solar, mas tem o forte DNA da distribuição de combustíveis. Com a eletrificação dos transportes, a Vibra também estuda atuar na recarga de veículos elétricos? Queremos transformar os postos de com- bustíveis em postos de energia. Então, o carre- gamento de veículos elétricos é um dos aspec- tos que compõem a nossa estratégia. No ca- so brasileiro, entretanto, a tendência de eletri- ficação da frota automobilística é menor. Isso se explica por diversas razões, que vão desde o consumo de biocombustíveis até a elevada tri- butação sobre os carros elétricos no país, que desencoraja a fabricação nacional desses veícu- los. Enquanto não houver reforma tributária, é provável que continue sendo assim. Avaliamos que dos 10% dos veículos da frota até 2030, 2/3 serão híbridos e 1/3 será elétrico. Devido ao custo do km rodado do carro elétrico ser 70% inferior ao do veículo movido à combustão, é possível que a frota do Uber e/ou dos táxis ado- tem a mobilidade elétrica. Em suma, entende- mos que a entrada de veículos elétricos no Bra- sil não ocorrerá como na Ásia, Europa ou EUA. Quer dizer que não haverá recarga em todos os postos? A Vibra estará presente no carregamento de carros elétricos. Num primeiro momento, é natu- ral que as pessoas queiramusufruir do conforto de carregar seus veículos em casa. O brasileiro, no en- tanto, gosta de viajar como seu automóvel. Então, vamos colocar o carregamento nas estradas.
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