Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 61 Não menos importante é a parceria que esta- belecemos com as Lojas Americanas, que terá iní- cio em outubro. Enquanto nos postos europeus a conveniência atinge mais de 50%, na Ásia al- cança mais de 70%. No caso brasileiro, mais es- pecificamente da Vibra, temos 1.200 lojas da BR Mania em 8 mil postos, o que representa apenas 15%. A nossa joint-venture pretende utilizar as lojas de conveniência como fazem os europeus e asiáticos. Nossa meta é aumentar o número de lojas para 2.200 em apenas quatro anos. Mas, para além das lojas de conveniência, há também as lojas de proximidade (lojas Local), que estão in- cluídas no acordo. Nessas lojas de proximidade, onde as pessoas ficam mais tempo, estamos ava- liando a possibilidade de disponibilizar a recarga elétrica. Mas isso é algo que está sendo estudado e espero trazer novidades em breve. Considerando o gás natural como elemento de transição energética, a Vibra avalia proje- tos relacionados ao combustível, como gera- ção termelétrica? Não seremos produtores de nada. Não compraremos refinarias tampouco plantare- mos cana-de-açúcar. Nós queremos manter a essência daquilo que somos, que é gerar a molécula (e agora o elétron), utilizando a nos- sa infraestrutura e capacidade logística, que vão desde as nossas bases até os 5 mil cami- nhões, o que nos confere vantagens competi- tivas sobre os nossos concorrentes. Qual foi o reflexo da crise hídrica nos negó- cios da Vibra? No curto prazo, percebemos um aumento ex- pressivo do volume de óleo combustível comercia- lizado com as termelétricas. Entre 2T20 e o 2T21, houve crescimentode 66%da venda de óleo com- bustível para as térmicas – de 394 mil m³ para 654 mil m³. Já entre o 1T21 e o 2T21, o aumento foi de 2,1% – de 641 mil m³ para 654 mil m³. Acredita- mos que isso se manterá por algum tempo. Como o sr. avalia a revisão do marco regu- latório dos mercados de revenda varejista de combustíveis que acaba com o fim da tutela regulatória? Isso estava em discussão na ANP e o governo editou uma medida provisória. A venda direta de etanol nos postos, por exemplo, cria distorções competitivas que podem acarretar danos ao erá- rio. A própria Raízen, que é produtora de etanol, não vê racionalidade na ação adotada pelo gover- no, pois o exercício de logística é contraproducen- te. Isso não gera benefício financeiro algum, mas cria o risco de não recolhimento de impostos. Isso pode aprofundar a perda anual de impostos oriun- da das redes de combustíveis, que já alcança a cifra de R$ 25 bilhões, se contabilizamos fraudes e ou- tras questões. Esse valor, que está fora do sistema tributário brasileiro, deveria contribuir para a redu- ção de impostos na própria cadeia. No que diz respeito ao tema da fidelidade à bandeira, a coisa muda de figura. Não consigo compreender a razão de um posto embandeira- do comercializar combustível de outro distribui- dor, já que cada categoria detém 50% do mer- cado. Além de tudo, não há diferença significa- tiva entre o preço dos combustíveis nos postos de bandeira branca e os embandeirados – por vezes, a própria tabela da ANP demonstra que o preço do segundo é menor do que o do pri- meiro. Então, não vejo sentido nisso. Por fim, a proposta da ANP da “bomba branca” é inviável, pois o investimento não se paga.
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