Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

62 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 ENTREVISTA WILSON FERREIRA JR. Da nossa parte, a estratégia é ser competiti- vo e preservar o consumidor. Os nossos contra- tos de embandeiramento preveem exclusivida- de, que são garantidos pela própria ANP. É uma operação de franquia, uma negociação bilateral onde o revendedor possui acesso ao produto, garantia de volume etc. O consumidor, por sua vez, já tem a opção de abastecer em posto de bandeira branca ou embandeirado. Como você vê a política de preços praticada pe- la Petrobras, que é tão suscetível às pressões da so- ciedade civil? Afinal, a paridade internacional faz parte das leis de mercado, mas vem penalizando consumidores e a própria economia brasileira. Temque haver a política de paridade de preços. A oferta nacional de combustíveis ainda é insufi- ciente. Por conta disso, a Vibra é o maior importa- dor do país. Então, não é possível criar uma políti- ca que não seja competitiva ou mesmo obrigar a Petrobras a absorver prejuízos. Tambémnão pode- mos criar sobrecustos aos importadores, sob o ris- co de acarretar desabastecimento. O Brent possui a característica da volatilidade, vimos isso durante a pandemia, quando a sua cotação foi pro chão e se levantou. O ponto nevrálgico do preço do com- bustível, no momento atual, é o câmbio. São três variáveis, portanto: Brent, câmbio e impostos. Não dá pra controlar a volatilidade do Brent. O câmbio, por sua vez, é flexível. Sobra apenas a questão tributária. Quando se trata do sistema tributário, o país fez a escolha pelo modelo de arrecada- ção existente. Está na hora de rediscutirmos isso, é algo que precisa ser feito. A Vibra já formou parceria com a Copersu- car para comercialização de etanol e adquiriu 70% da Targus para comercialização de ener- gia elétrica. Qual a estratégia da Vibra para o segmento de comercialização? Nossa ambição é ser umdos maiores comercia- lizadores de energia no final da década. Nós não somos uma trading direcional, nossa estratégia é estrutural. Vamos atender consumidores em con- tratos de longo prazo – contratos que serão supri- dos com energia renovável, de preferência, para gerar créditos aos nossos clientes. A nossa capa- cidade financeira será utilizada para promover lei- lões, comprar energia no longo prazo e participar do processo de consolidação desta indústria. As- sim, teremos produtos para garantir a entrega pa- ra os nossos clientes. Já estamos fazendo isso. Gasolinas comercializadas pela Vibra co- mo a Podium e a Premium foram desenvol- vidas pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). Agora que a companhia não detém mais nenhum laço com o Sistema Petrobras, como serão realizadas as atividades de P&D? Somos os maiores consumidores da Petro- bras. Temos confiança no que compramos. Mais do que isso: ao licenciar uma marca deles, há um conjunto de atributos que nos interessa. O desejo de obter a melhor gasolina do mercado, como a Podium, que move todas as equipes da Stock Car. Sobre o P&D, se vamos continuar a parceria com o Cenpes, não sei te responder no momento. O que posso te adiantar é que o te- ma da inovação é prioridade para a Vibra. No Vi- bra Investor Day lançamos um hub de inovação que já conta com 30 startups e envolve ques- tões relacionadas à qualidade do produto. Ima- gino que o Cenpes terá interesse em continuar oferecendo serviços e o melhor combustível pa- ra a Vibra, que faz parte da nossa estratégia. n

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