Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 65 N um mundo onde a pande- mia tornou mais urgentes os sinais da natureza e intensifi- cou o processo de transfor- mação energética, gigantes globais como Shell, ExxonMobil e Chevron sofreram du- ros revezes no primeiro semestre de 2021. Em maio deste ano, a Shell foi conde- nada pelo Tribunal Distrital de Haia, na Holanda, por “causar mudanças climá- ticas perigosas à vida humana''. A deci- são, de caráter inédito, que tem poten- cial de se tornar uma “jurisprudência in- ternacional”, tratou os impactos das mu- danças climáticas como uma questão de direitos humanos. Por considerar que a “decisão judi- cial, contra uma única empresa, não é eficaz”, a Shell anunciou que irá recorrer da sentença que a obriga a reduzir suas emissões líquidas de CO2 em 45% até 2030, em comparação com os níveis de 2019. Ainda não está claro, contudo, co- mo a sentença poderá causar impactos às suas operações globais. No mesmo dia da derrota da Shell, as norte-americanas Chevron e ExxonMobil foram colocadas de joelhos em seus res- pectivos conselhos de administração por acionistas ativistas descontentes com os rumos de suas estratégias climáticas. As iniciativas parecem ter surtido efeito. A Chevron, forçada a cortar suas emissões de carbono por decisão majo- ritária de seus investidores, que apoia- ram a proposta do grupo ativista holan- dês Follow This, criou uma nova unida- de de negócios com foco na produção de hidrogênio e CCUS (Carbon Captu- re, Use and Storage). Já a divisão de Solução de Baixo Car- bono da ExxonMobil, criada em fevereiro deste ano, está buscando oportunidades nas áreas de CCUS e hidrogênio, com in- vestimentos previstos de US$ 3 bilhões até 2025. Net zero em 2050: meta ou desejo? Mais alinhadas às metas climáticas do Acordo de Paris, as companhias euro- peias impulsionam o vetor das energias renováveis, enquanto as companhias norte-americanas, mais conservadoras e afeitas à cultura petroleira, centram es- forços na captura e estocagem do carbo- no e eficiência tecnológica para estender a vida útil das fontes fósseis. Apesar de trilharem caminhos distintos em busca da descarbonização, as petrolí- feras ainda possuem uma expressiva car- teira de ativos de óleo e gás para desen- volver nas próximas décadas. Diante do dilema entre segurança climática e segu- rança energética, coloca-se o desafio do net zero. Para a gerente de Projetos e Produtos do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues,
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=