Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
66 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 TRANSIÇÃO ENERGÉTICA a ambição de eliminar as emissões en- quanto ocorre a manutenção das ativi- dades exploratórias é mais do que uma contradição, é algo incompatível. Na avaliação de Larissa, virou lugar-co- mum na indústria do petróleo o discurso “de que é preciso produzir petróleo com baixa intensidade de carbono”, o que não elimina o fato de que se trata, obviamen- te, de um combustível fóssil poluente. bp Diante das idas e vindas das petrolei- ras rumo ao net zero, bp (antiga British Petroleum, atual Beyond Petroleum), Equinor (antiga Statoil) e TotalEnergies (antiga Total) reescreveram o nome de suas marcas com o intuito de “escrever um novo futuro”. Tudo começou em 2002. Naquele ano, John Browne, então CEO da BP, proferiu o discurso “Beyond Petroleum: Business and the Environment in the 21st Cen- tury”, na Stanford University, na Califór- nia (EUA). Na ocasião, o executivo afir- mou que “era preciso reinventar os negó- cios em energia, indo além do petróleo”. Em 2006, entretanto, um oleoduto da bp foi responsável por um dos maiores derramamentos de óleo já registrados no Alasca. Quatro anos depois, a explosão na plataforma Deepwater Horizon, ope- rada pela companhia britânica, desen- cadeou o maior derramamento de óleo marinho da história. Em 2015, a bp foi condenada a pagar a maior multa crimi- nal da história americana pelo desastre no Golfo do México. O que poderia ter sido o fim, ainda pode se tornar um novo começo. No Reino Uni- do, sua terra natal, que pretende se tornar a “Arábia Saudita da energia eólica”, como declarou o primeiro-ministro Boris Johnson, a major avança na construção de parques eólicos no Mar da Irlanda, em parceria com a empresa alemã Energie Baden-Wuerttem- berg AG. O complexo terá capacidade para produzir até 3 GW. Em março deste ano, a companhia de- clarou que está avaliando a possibilidade de construir uma planta de produção de hidrogênio azul no Reino Unido, com ca- pacidade prevista de 1 GW até 2030. No Brasil, a bp Bunge Bioenergia, joint venture formada pela bp e a Bun- ge, em 2019, atua no mercado de eta- nol, açúcar e bioeletricidade. TotalEnergies A TotalEnergies, por sua vez, decidiu pela mudança do nome em busca de “ser protagonista mundial na transição ener- gética”, segundo o CEO Patrick Pouyan- né. Suameta é zerar as emissões até 2050. A ideia é chegar ao ano de 2025 nos 35 GW de capacidade bruta de fontes reno- váveis, e aos 100 GW até 2030. Em 2020, a empresa aportou cerca de US$ 2 bilhões em projetos globais de energia renovável. Sua capacidade de geração de ener- gia renovável mais do que dobrou em 2020, passando de 3 GW em 2019 pa- ra cerca de 7 GW no fim do ano pas- sado. O crescimento foi impulsionado por projetos solares que somam mais de 2 GW em operação na Índia, mais
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