Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 81 moderna, o grande motivador para as empresas investirem na automação de redes foi a renovação da concessão da maioria das distribuidoras entre 2015 e 2017, quando a Aneel exigiu melhorias significativas nos indicadores de qualida- de DEC e FEC e investimento de moderni- zação de redes. Apesar de ter gerado melhoria na qualidade de energia, esta primeira etapa de investimento em redes in- teligentes ficou praticamente invisível para o consumidor. Segundo Boccu- zzi, faltou o medidor inteligente na ponta, para ligar o cliente à inova- ção tecnológica. Ele lembra que, em momentos de crise hídrica, a falta de uma rede inteligente impede inclusi- ve que se faça um controle pelo lado da demanda. O consultor faz uma conta rápida para exemplificar os ganhos com a re- de inteligente: nos últimos dois anos, a bandeira vermelha onerou os con- sumidores em cerca de R$20 bilhões por ano, o que poderia ter sido parcial- mente evitado com gestão da deman- da, com oferta de tarifas alternativas. Boccuzzi calcula que seriam necessá- rios cerca de R$ 50 bilhões para expan- dir o smart grid para todos os 70% dos 87 milhões de unidades consumidoras, ou seja, dois anos e meio do custo da bandeira vermelha. A Associação Brasileira de Distribuido- ras de Energia Elétrica (​Abradee) lembra que a decisão de não investir em medido- res inteligentes pelas distribuidoras se dá pela falta de uma regulação que permita a implementação de tarifas dinâmicas pa- ra a baixa tensão, como a binômia. De fato, o processo de implementa- ção de uma tarifa binômia pela Aneel parou após a Audiência Pública 59, de 2018. Mas, conforme avançam as pro- postas de liberalização do mercado, a cobrança horária, a entrada de novas tecnologias e com os investimentos que vêm sendo feitos pelos agentes de distribuição, a própria agência pa- rece ter acordado para a necessidade de rever a regulação tarifária. No dia 10 de agosto, durante a reunião da diretoria, foi aprovado a consulta públi- ca para sandbox tarifários que abre cami- nho para a regulamentação da tarifa binô- mia. O sandbox tarifário suspende por 4 anos a atual regulamentação tarifária pa- ra permitir que novas modalidades tarifá- rias, Gestão do Lado da Demanda (GLD) ou novas modalidades de ​faturamento se- jam testados em ambientes reais, com um público-alvo previamente selecionado. A consulta pública durará 60 dias e, uma vez concluída, a Aneel pretende fazer uma chamada de projetos pilotos de P&D para sandbox tarifários. n Para a Abradee, a decisão de não investir em medidores inteligentes se dá pela falta de regulação

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