Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 111 Wagner Victer Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-Secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo e ex-Conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. A IMPORTÂNCIA DO GASODUTO ROTA 4B À crise hídrica que o Brasil enfrenta, somam-se proble- mas de desabastecimento de produtos como fertilizantes e a dolarização de muitos insumos que repercutem direta- mente na inflação. Tudo isso leva ao desafio de se buscar os melhores aproveitamentos dos recursos internos. Um cenário confuso de agora é o da importação de gás natural por meio do GNL, associado à comparação dos valores de venda ao consumidor nacional em rela- ção aos energéticos internacionais, que explodiram, ao mesmo tempo que temos um elevado nível de reinjeção de gás nacional. As recentes legislações que levaram à imposição de re- gras de investimentos em geração incompatíveis com a disponibilidade dos recursos naturais nacionais – como a questão da desestatização da Eletrobras (Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021) e a não fixação de metas claras para induzir um maior aumento de oferta de gás no país atra- vés da Nova Lei Gás (Lei nº 14.134, de 8 de abril de 2021) – faz com que tenhamos um cenário ainda duvidoso em relação ao que pode acontecer no futuro. Esse ritmo transiente das novas infraestruturas em for- ma de gasodutos e das ofertas da disponibilidade de gás natural nacional, inclusive sob análise pela EPE, faz com que cada nova estrutura planejada requeira uma avaliação mais profunda. A próxima grande oferta terrestre de gás natural nacio- nal, prevista para 2022, será a chegada pela Petrobras da chamada Rota 3, por Maricá, com a construção de uma UPGN associada. Também foi anunciada a Rota 2, emMa- caé, pelo grupo Equinor, porém ainda sem data fixada. Neste cenário surge uma grande oportunidade: a chamada Rota 4b, que pode escoar o gás disponibiliza- do em blocos localizados na Bacia de Santos, na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, ao redor do Campo de Bacalhau, com operação da Equinor. Assim, essa rota transportaria 20 milhões de m³/dia de gás (que atual- mente é reinjetado) até Itaguaí, na Baixada Fluminense, gerando uma oferta de gás que pode atender uma série de novas demandas econômicas onde esse energético possa gerar ganhos para outros segmentos, especial- mente para o meio ambiente. A chegada do gasoduto Rota 4b por Itaguaí, junto ao Por- to de Itaguaí (Sepetiba), oferece também uma oportunidade para resolver um dos grandes problemas sociais e econômi- cos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, mais especi- ficamente na Baixada Fluminense, ampliando o potencial de todo Arco Rodoviário Metropolitano (BR 493) para o desen- volvimento de condomínios industriais.A região é cercada por umcomplexo siderúrgico voltado não só para a exportação de minério, mas também com siderúrgicas como Gerdau (antiga Cosigua) e a Ternium (antiga CSA), que fazem com que haja um potencial de consumo firme para utilização do gás, desde que existam preços competitivos da molécula, trazendo, com isso, ganhos ambientais importantes. No caso dominério, onde existem terminais de exportação na Baía de Sepetiba, nos municípios de Itaguaí e Mangarati- ba, estudos indicam a potencialização e agregação de valor aominério exportado através do processo HBI (Hot Briquetted Iron), cabendomuito bemno escopo de novas aplicações pela Vale, como grande exportador de minério. Já na área de geração elétrica o potencial é fortalecido por uma linha de transmissão de 500kV, construída pelo grupo chinês State Grid, que ainda possui grande possibi- lidade de receber injeção de carga, além de estar no cen- tro de gravidade geoelétrico do subsistema elétrico inter- ligado Sudeste/Centro-Oeste, do município de Paracambi, na Baixada Fluminense, até o norte do país na região do Xingu. Isso sem falar que a região da Baixada conta com uma bacia aérea favorável e com recursos hídricos ainda disponíveis, o que favorece projetos de termoeletricidade, inclusive para atender à demanda fixada ao Rio de Janeiro dentro das eventuais contrapartidas da Lei Nº 14.182, que viabilizou a desestatização da Eletrobras. Por tudo isso, a discussão de implementação do Rota 4b, por Itaguaí e não por São Paulo, deve ser feita dentro da maximização dos ganhos econômicos para o país, e não num contexto de disputa entre estados, na qual con- dições ambientais e até socioeconômicas mais favoráveis sejam desconsideradas. O tema não pode se tornar uma batalha política. Somente com muito planejamento, estu- do e, acima de tudo, mobilização pública, que consegui- remos evitar esse destino.

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