Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 15 ís – com alta na taxa de juros e inflação – está desfavorável para a celebração de contratos de longo prazo na mesma média de preços que os consumidores se acostumaram nos últimos anos, em uma faixa de R$ 125/MWh a R$ 130/ MWh, hoje chegando a patamares de R$ 150 a R$ 160/MWh em contratos de 10 a 20 anos. Esse cenário que dificulta a negocia- ção entre geradores e consumidores faz as partes começarem a estudar crédito disponível no exterior, seja em bancos multilaterais, como IFC e BID, como na oferta mais ampla e competitiva de ban- cos privados estrangeiros. Com taxas de juros menores, e melhores condições, o financiamento muitas vezes mais bara- to do exterior, mesmo em comparação com linhas subsidiadas locais e debên- tures incentivadas, pode viabilizar tam- bém tarifas mais baratas para os PPAs dos projetos. Estruturais Mas as motivações para a celebração de PPAs indexados em dólar, com finan- ciamentos também dolarizados, vão além das questões conjunturais - são estrutu- rais e abarcam demandas tanto de consu- midores como dos empreendedores. A começar pelos consumidores, há o caso principalmente de grandes ex- portadores, com interesse de ter seus principais insumos indexados na mes- ma moeda de suas receitas obtidas com a venda externa de commodities, se- jam eles por exemplo minério de ferro ou petroquímicos. Para essas empresas, deixar de ter custos importantes como o da energia em reais evita o indesejado descasamento cambial. Já pelo lado dos empreendedores, segundo explicou para a Brasil Energia o responsável por project finance do Banco Santander, Igor Fonseca, que es- tá desenvolvendo no momento cinco projetos de parques de renováveis com PPAs a dólar no Brasil, há dois ângulos de interesse principais para optar por essas estruturações. O primeiro deles tem a ver com o fa- to de muitos empreendedores contarem com acionistas estrangeiros. Há o grupo das grandes utilities, empresas como as francesas Engie e Voltalia, a espanho- la Iberdrola, a italiana Enel ou a chinesa CPFL, ou o grupo das chamadas finan- cial sponsors, empresas controladas por fundos de investimento, como são os casos da Atlas (do fundo inglês Actis), Rio Energy (private equity norte-ameri- cano Denham Capital) ou Ibitu (norte- -americano Castlelake). Essas empresas, para financiar seus projetos no Brasil, fazem captações glo- bais, de investidores estrangeiros, cons- troem suas usinas em reais e vão entre- gar os dividendos em dólar no futuro para os acionistas. Isso se traduz em um alto risco cambial. Fonseca cita o caso de empreendedores que investiram no Brasil em 2014, quando o câmbio esta- va na faixa de R$ 2, e que retiraram os dividendos agora, com o dólar superior a R$5. Ter os PPAs dos projetos indexa-

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