Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

16 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 RENOVÁVEIS dos na moeda de origem dos investido- res protege a operação da alta volatili- dade cambial. O segundo ponto favorável da inde- xação em dólar dos PPAs para os gera- dores é a possibilidade de acessar finan- ciamento de bancos globais que hoje, segundo Igor Fonseca, ganha em atra- tividade mesmo ao se comparar com as linhas subsidiadas do Brasil, BNDES e BNB, e com as debêntures incentiva- das. Isso principalmente na atualida- de, com a NTN-B em alta, pressionando os juros praticados pelos financiamen- tos locais. O sistema bancário interna- cional, com muitos grupos competindo entre si, coopera com a atratividade das linhas ofertadas. Os primeiros Embora o financiamento externo pa- ra projetos de eólicas tenha ocorrido na época do Proinfa, o que foi necessário por não existir à época cadeia de forne- cedores locais, essa nova fase de proje- tos com PPAs em dólar teve seu marco com dois projetos solares da Atlas Re- newable Energy anunciados no fim de 2020 e neste ano. O primeiro foi para a UFV Jacarandá, de 187 MWp, em Juazeiro (BA), para a qual o grupo obteve empréstimo de US$ 67 milhões do BID Invest, do Ban- co Interamericano de Desenvolvimen- to (BID), e que contou com a participa- ção também do banco norueguês DNB Bank ASA, da Noruega. Esse foi o pri- meiro projeto solar nacional totalmen- te financiado em dólares. O PPA foi com a petroquímica de origem norte- -americana Dow. O segundo projeto, anunciado em maio de 2021, também foi financia- do com empréstimo do BID e do DNB Bank, no valor de US$ 150 milhões, para a construção da UFV Lar do Sol – Casablanca, de 359 MWp, em Minas Gerais. A usina fornecerá 805 GWh/ ano para as operações em Minas Ge- rais da mineradora e exportadora An- glo American, naquele que é conside- rado o maior PPA indexado em dólar assinado com um consumidor priva- do no Brasil. E a promessa é que mais projetos desse tipo ocorram em breve. No mo- mento, o Santander está estruturando cinco projetos com PPAs em dólar, sen- do três de parques solares e dois eóli- cos. Todos de grande porte, com nego- ciações em andamento e busca de fi- nanciamento externo. De acordo com Igor Fonseca, três dos projetos vão contar com os mul- tilaterais como financiadores-ânco- ra e participação de bancos privados estrangeiros para complementar a estruturação. Mas os outros dois de- vem ter estratégias diferentes, ape- nas com bancos privados internacio- nais, por conta da necessidade dos clientes de ter processo mais ágil e rápido para a construção dos par- ques. Isso porque as operações com os bancos multilaterais são mais mo- rosas e complexas.

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