Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 19 Claudio Sales Claudio Sales é engenheiro e presidente do Instituto Acende Brasil. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses.. SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS NA AGENDA DO SETOR ELÉTRICO Coautor: Alexandre Uhlig Alexandre Uhlig é diretor de ESG do Instituto Acende Brasil Apesar de não serem uma novidade no Brasil, o acom- panhamento da evolução do arcabouço legal e regulatório do país indica que, cada vez mais, os conceitos associados aos Serviços Ecossistêmicos ganharão relevância no mundo corporativo. Serviços Ecossistêmicos podem ser descritos como fenô- menos naturais responsáveis pelos processos biológicos, físi- cos e químicos que possibilitam a vida naTerra e o desenvol- vimento de atividades econômicas. Ao atribuir um valor econômico aos Serviços Ecossistê- micos envolvidos em suas atividades, as empresas podem compreender de forma mais completa a interface existente entre aspectos socioambientais e a sua operação, amplian- do as dimensões abrangidas pelas suas matrizes de risco. Assim como ocorre em outras áreas, as atividades do setor elétrico dependem, em diferentes graus, de Serviços Ecossistêmicos. O serviço de “Provisão de Água”, por exem- plo, é necessário para o acionamento das turbinas de usinas hidrelétricas e o funcionamento dos sistemas de resfriamen- to de usinas termelétricas. Já o serviço de “Controle da Ero- são” contribui para a estabilidade das torres de linhas de transmissão. No segmento de distribuição, a previsibilidade de fenômenos climáticos obtida a partir do serviço de “Re- gulação do Clima” aumenta a capacidade de planejamento operacional. Globalmente, regulações relacionadas a Serviços Ecos- sistêmicos têm avançado e resultado em novas obrigações para as empresas como, por exemplo, a precificação de car- bono – prática a partir da qual se atribui um valor às emis- sões de gases do efeito estufa. O valor atribuído às emissões reflete, direta ou indiretamente, as consequências, para a so- ciedade, das externalidades negativas causadas pelos GEEs (Gases de Efeito Estufa) aos Serviços Ecossistêmicos relacio- nados ao serviço de regulação climática atual. Nos últimos anos esse tema tem ganhado importância nos fóruns inter- nacionais, provando sua relevância global As próprias dimensões de ESG (Environmental, Social and Governance) vêm sendo impulsionadas pela percepção de que a atenção dispensada aos aspectos ambientais, so- ciais e de governança corporativa facilita a identificação e mitigação de riscos não-financeiros e contribui para o pla- nejamento de longo prazo. Neste contexto, a identificação, valoração e comunicação das dependências e externalida- des sobre os Serviços Ecossistêmicos relacionados à opera- ção de uma atividade econômica constitui uma das práticas que podem se tornar mais comumno ambiente de negócios. Apesar de temas relacionados a emissões de gases do efeito estufa e às mudanças do clima concentrarem a maior parte das ações desenvolvidas sob o conceito dos Serviços Ecossistêmicos, aspectos adicionais relacionados, por exem- plo, ao consumo de água, à emissão de material particulado e à conservação da biodiversidade também podem aumen- tar a chance de sucesso de uma atividade no longo prazo. Ao possibilitar a estimação do valor monetário das ex- ternalidades e dependências, as metodologias de Valoração Ecossistêmica contribuem para que empresas do setor elétri- co compreendam melhor as interfaces entre a operação de seus ativos e os aspectos socioambientais. O Instituto Acende Brasil tem desenvolvido projetos so- bre o tema e acaba de lançar um estudo sobre Serviços Ecossistêmicos, que apresenta os principais conceitos envol- vidos neste tipo de serviço e analisa a sua importância para as empresas do setor elétrico. Está cada vez mais consolidada a percepção de que in- dicadores econômico-financeiros, sozinhos, são insuficientes para refletir o desempenho operacional e os riscos que ame- açam um negócio. A incorporação da avaliação dos Servi- ços Ecossistêmicos à estratégia empresarial contribui para a construção de um retrato mais completo sobre a realidade das organizações.

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