Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 21 gerente de estudos de transmissão na con- sultoria PSR. Trocar equipamentos elétricos com 30 anos pode também ser visto como uma oportunidade de trazer novas tecnologias para enfrentar estes desafios. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia (Abrate), MarioMiranda, a moder- nização deve acontecer sem sobressaltos. Ele argumenta que as transmissoras têm experiência e capacidade técnica, robustez financeira e contam com o acerto regula- tório, incluindo a recente regulamentação do pagamento da RSBE (uma remunera- ção paga pelo consumidor às empresas de transmissão para indenizar ativos de trans- missão na renovação das concessões em 2021, por determinação da MP 579). “As transmissoras fizeram seus planos de negócios com mais intensidade [nos úl- timos anos]”, explica Miranda. “Era para ter trocado estes ativos mais cedo, mas este atraso não trouxe nenhuma fragilidade ao sistema, pois as empresas recebem pela dis- ponibilidade do sistema e esta disponibilida- de tem se mantido emmédia em 99,8%”. Apesar de ser um setor fortemente regu- lado, a transmissão no Brasil tem atraído cres- cente interesse de investidores e hoje se en- contra em uma situação privilegiada em rela- çãoaoutros setores daeconomia, comreceita anual garantida durante os 30 anos de con- cessão, uma forte previsibilidade nos reajustes e inadimplência extremamente baixa. O acerto regulatório foi atingido em 2017 após o setor elétrico sofrer com pro- fundas mudanças oriundas da renovação das concessões pela MP 579 e da fragilida- de no sistema anterior a 2002, que levou a atrasos em várias linhas licitadas, inclusive por causa do licenciamento ambiental. Mas hoje estes problemas parecem ser supera- dos e a robustez citada por Miranda pode ser medida pelo grande interesse de investi- dores nos ágios de mais de 50% emmédia nos seis leilões de transmissão desde 2017. “O setor tem bons retornos, que são proporcionais ao risco”, conclui Thiago Gonthad, diretor financeiro da Mez Ener- gia. A empresa que foi criada pela famí- lia Zarzur, originalmente do setor de cons- trução, que escolheu a transmissão como porta de entrada para o setor energético. Agora, a empresa se prepara para entrar nos negócios de geração fotovoltaica e comercialização de energia. “O setor de transmissão acaba tendo o papel de ser o kick off para Mez, permitindo se especiali- zar e treinar nosso pessoal”. AMez entrouno setor em2019pormeio dos leilões de transmissão. Alémdeles, a em- presa busca constantemente outras oportu- nidades no mercado e participou dos leilões de privatização da Celg T e da CEEE T este ano. Aempresapode ser amais nova entran- temas, desde 2017, o setor viu a chegada de vários players nacionais e internacionais que estão fazendo investimentos bilionários. Entre eles empresas do Canadá, Chi- na, Itália, Índia, Espanha e Portugal. Ho- je são mais de 20 empresas atuantes em um setor que até a última década do sé- culo 20 era dominado pela Eletrobras e suas subsidiárias e as estaduais, principal- mente a Cesp, Copel, Celesc e CEEE. “In-

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=