Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

22 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 TRANSMISSÃO vestir em transmissão é como investir em um título de renda fixa”, explica Roberto Dumke, chefe de pesquisa de crédito no Banco ABC Brasil. Além da clareza das regras na hora de determinar a RAP anual, a chave do negócio está no detalhado planejamento da expan- são feita peloMinistério deMinas e Energia, por meio da EPE, em conjunto com ​Aneel e ONS. Estes estudos identificam oportuni- dades de crescimento da receita e estão cal- cados em estudos regionais e nacionais. To- das as oportunidades de negócios em trans- missão estão descritas em uma série de do- cumentos como o Plano Nacional de Ener- gia 2050, o Plano Decenal de Energia (PDE), além de outros estudos mais específicos pa- ra o setor como o Programa de Expansão da Transmissão (PET) e o Plano de Expansão de Longo Prazo (PELP), que são revisão anu- almente pela EPE. Em abril deste ano a EPE determinou a criação de seis grupos de estudos de expan- são da transmissão: umpor região geográfi- ca do país e umpara interligações regionais. Este arcabouço de planejamento só re- força o interesse dos investidores, inclusive de empresas já atuantes no setor de energia que começarama expandir significativamen- te na área. A EDP Brasil, braço local do con- glomerado português EDP, adquiriu a Celg T – emGoiás – e aumentou seus ativos opera- cionais em transmissão em 90%, isso depois de ter arrematado mais de 1.400 km em lei- lões e comprar outros ativos de transmissão. Já no Sul, a CEEE-T foi arrematada pela CPFL Energia, controlada pela estatal chi- nesa State Grid. Com a aquisição dos ati- vos de transmissão gaúchos, a CPFL tam- bém deu um salto na presença no setor de transmissão, aumentando de 231 km para 6.268 km as linhas operadas. Segundo os analistas e pesquisadores, es- tas empresas investiram​em transmissão pa- ra diversificar a receita do setor de energia e apostar ematividades de riscomais baixo, po- rém com uma receita robusta. A RAP para 2021daCelgT, por exemplo, édecercadeR$ 200milhões edaCEEE-T é de R$800milhões. Mas para participar deste setor é preci- so ter porte financeiro e técnico. Para se ter uma ideia, desde 2017 fo- ram leiloados com sucesso 19.232 km de li- nhas de transmissão com tensões de 230kV a 500kV. O total de investimento declarado foi de mais de R$ 40 bilhões, ou seja, cer- ca de R$ 2 milhões para cada km de linha construída, inclusive as subestações. “O risco em transmissão está principal- mente na construção, e para isso as trans- missoras se preparam tecnicamente e fi- nanceiramente, com acesso a crédito. Um grande avanço no setor foi quando as transmissoras começaram a emitir debên- tures incentivadas”, explica Martha, da PSR. Para ela, a principal estratégia é bus- car antecipar a entrada em operação das linhas para, mais rapidamente, auferir as receitas dos contratos de concessão. Até2024,oONSprevêumaexpansãodare- dede184milkm,enquantonoPDE2030,aEPE prevê o SIN atingindo 200mil km, ou seja, um crescimentode55milkmou38%darede.Oin- vestimentoprevistonoPDEemtransmissãoéde R$ 89 bilhões, sem contar a troca dos equipa- mentos velhos.

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