Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 23 Para Antonio Deichmann, diretor de energia da Concremat, empresa de enge- nharia cujos principais produtos são siste- mas de planejamento e acompanhamen- to de obras, o investimento previsto é um valor expressivo, mas que deve aumentar, uma vez que o país volte a crescer. “Este valor vai ter que ser revisto, mas é o sufi- ciente no quadro atual”, explica. Mesmo sem crescimento econômico, a expansão da rede tem acontecido e de- ve continuar, um dos trunfos do setor des- de que o governo e a Aneel acertaram o arcabouço regulatório que determinou um retorno adequado, lembra Martha da PSR. No entanto, mesmo com a necessida- de de continuar expandindo, o governo e as empresas terão que enfrentar a princi- pal mudança no setor elétrico brasileiro: a entrada de geradores de menor porte co- mo as centrais eólicas e solares, principal- mente por meio de contratos no mercado livre. “No passado era relativamente fácil, com grandes hídricas nas pontas e cen- trais grandes centrais térmicas”, lembra Miranda, da Abrate. Além do grande número de novas usi- nas de energia renovável e variável, o fa- to de grande parte das novas usinas gera- doras serem contratadas no mercado livre também afeta o planejamento. As contratações no mercado regulado – por meio de leilões – permitem um planeja- mento a longo prazo da expansão da rede de básica já que, desde que foram introdu- zidos em 2004, os leilões contratam ener- gia com três, quatro ou cinco anos de ante- cedência, dando previsibilidade na entrada de operação e, portanto, dando tempo pa- ra expandir a infraestrutura de transmissão. Com forte expansão do mercado livre, os parques eólicos e solares podem ser construídos rapidamente e a solicitação de acesso se dá com um, dois ou três anos de antecedência. E mesmo assim sem 100% de certeza que a conexão vai acontecer. Tentando antecipar esta complexida- de, a EPE já está fazendo estudos pros- pectivos de expansão da rede para incluir não só as renováveis com grande varia- bilidade de geração, mas também por causa das incertezas trazidas pelo cresci- mento do mercado livre. Ainda falta consenso sobre qual será a solução final, mas todos concordam que algo precisa ser feito. “Hoje, oacessoa redeépor ordemdeche- gada. Acredito que isso deva mudar e o go- verno deverá exigir algum tipo de pagamen- to para garantir o acesso fazendo com que o compromisso seja mais firme e possibilite um planejamentomelhor”, sugeriuMartha. n Mario Miranda, presidente da Abrate: modernização sem sobressaltos Martha Rosa Carvalho, da PSR: emissão de debêntures incentivadas foi um avanço para o setor Thiago Gonthad, da Mez Energia: retornos proporcionais aos riscos

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