Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021
Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 35 Izeusse Braga Izeusse Braga é economista, pós graduado em Marketing, escritor e conferencista internacional. Foi secretário geral da Arpel e diretor comercial da Petrobras. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. A RESILIÊNCIA DAS ASSOCIAÇÕES DE PETRÓLEO NO CONTEXTO DAS TRANSIÇÕES DE ENERGIA Nossa indústria passa por uma longa fase de variados e complexos desafios para reposicionar-se frente às exigên- cias de toda ordem que nos motivam a repensar desde a razão de ser, objetivos empresariais, métodos de trabalho, sistemas de produção, até a forma pela qual motivaremos as novas gerações a desenvolver-se profissionalmente em nosso segmento. O advento da pandemia, ainda presente, só amplia a diversidade e complexidade dos desafios a enfrentar, ten- do feito nosso setor enfrentar a “tempestade perfeita”, quando, há alguns meses, se cruzaram a redução drásti- ca dos preços do petróleo com a brutal baixa do consumo de seus derivados em todo o mundo. Aprendemos rapida- mente a nos adaptar, mas ainda sentimos os efeitos do al- to preço que pagamos. Na Arpel, associação que congrega empresas de pe- tróleo & gás e fornecedoras de bens & serviços da Améri- ca Latina & Caribe, os desafios são ainda mais complexos, tendo em vista a multiplicidade de visões, missões e obje- tivos que orientam suas ações. Este grupo bastante heterogêneo de empresas, que se diferenciam por um ou mais fatores como proprieda- de da empresa (estatal, pública ou privada), foco no negó- cio (operações, serviços, consultoria), dimensão do negócio (grande, médio, pequeno), nível de integração vertical (in- tegrado, upstream, downstream) e âmbito geográfico (na- cional, regional, internacional), tem a responsabilidade de definir as estratégias paramonetizar, de forma sustentável, parte dos 330 bilhões de barris dereservas de petróleo e 8,1 trilhões m³de gás existentes na região. Essa variedade de perfis se traduz em uma grande di- versidade de necessidades e interesses, nas operações e negócios que impactam a percepção das empresas em re- lação às áreas em que Arpel gera valor, sempre com foco regional, através de assistências recíprocas e de acordos estratégicos de cooperação com outras instituições-chave do setor (WPC,WEC, IGU, IPIECA, IOGP, SLOM, API) consi- derando os diferentes segmentos em que atuam (upstre- am, downstream, gás e biocombustíveis). Nesses mais de 56 anos de atividades na região, temos observado que o que leva as empresas a aderir e a perma- necer afiliadas à Arpel também tem muito a ver com fato- res exógenos (marcos regulatórios, dinâmica de mercado, oportunidades de negócios e desafios operacionais) e inte- resses estratégicos (posicionamento regional de negócios, integração energética, oportunidades e ameaças trazidas pelas transições energéticas). Nossa associação tem sido capaz de adaptar-se aos novos tempos e aos novos desafios, buscando sempre tra- zer à discussão, de forma proativa e cooperativa, os temas estratégicos de maior interesse que afetam nossa indústria e sua reputação perante a sociedade. Assim é que hoje, nas linhas de trabalho que norteiam nossas ações, além das questões referentes à Eficiência Energética, Segurança de Processos, ESG e Compliance, destacam-se os processos relativos às Transições Energé- ticas e as estratégias de mitigação e adaptação às mudan- ças climáticas, temas de crescente exigência pelas socieda- des onde atuamos. Seguir avaliando as tendências da indústria, especial- mente as que se traduzam eminovações disruptivas, será fundamental para que as empresas sócias da Arpel sigam rentáveis e adotem sistemas mais flexíveis de produção de energia, com menor geração de GEE, atendendo às neces- sidades das economias comprometidas com os preceitos da sustentabilidade.
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