Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 45 P aralelamente ao crescimento eco- nômico e populacional, que de- mandou novos usos para as águas dos reservatórios das hidrelétricas, o Brasil, nas duas últimas décadas, simples- mente deixou de construir esses reservatórios. Na avaliação da engenheira Adriana Ver- chai de Lima Lobo, coordenadora da Comis- são Técnica de Usos Múltiplos do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB) e especialis- ta em gestão de recursos hídricos, sanea- mento ambiental e segurança de barragens da área de P&D da Companhia de Sanea- mento do Paraná (Sanepar), esse abandono de uma alternativa que moldou a constitui- ção do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB) está na raiz não apenas dos problemas de abas- tecimento elétrico que o país vem enfren- tando, como também da indisponibilidade de água para outros usos. Em entrevista à Brasil Energia , ela externa sua visão sobre o complexo dilema do uso múltiplo. De um modo geral, os reservatórios das hi- drelétricas brasileiras foram construídos com um sentido de exclusividade, sendo o com- partilhamento compulsório uma decisão re- cente. Essa multiplicidade de usos pode ser relacionada com a evolução negativa da dis- ponibilidade de água para geração elétrica nos últimos anos? A disponibilidade hídrica pode variar consideravelmente de região para região, assim como os investimentos em grandes empreendimentos com reservatórios de acumulação. O grande desafio é manter a disponibilidade hídrica dos rios, manan- ciais e reservatórios de usos múltiplos dian- te de fatores ambientais, sociais, políticos, econômicos como mudanças climáticas, crescimento populacional, aumento da de- manda por água e energia dos diversos se- tores, ocupação irregular e uso do solo no entorno de mananciais e suas interferên- cias sobre a segurança hídrica, despejos in- dustriais e residenciais em corpos hídricos e drenagem urbana. Sim, mas a geração elétrica acabou perden- do espaço… O setor de energia brasileiro sempre foi e é referência mundial, destacando-se com a construção de barragens com reservatórios de grande porte, principalmente nas décadas de 1970 e 1980, quando implantou o sistema de energia interligado nacional, apoiado nu- ma política de centralização, em empresa es- tatais, dos recursos e do poder decisório. Fo- ram construídas grandes obras que hoje dão resiliência ao sistema elétrico. Mas as hidrelétricas, que já foram mais de 90% do sistema, não param de perder espaço… O problema na matriz elétrica brasileira é que se passaram mais de duas décadas

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