Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021

74 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 MOBILIDADE montadora está focada, sem querer fa- lar em projetos futuros. “O E-Delivery pode ser escalável para outros proje- tos”, sinalizou. Há outros caminhos? A substituição do diesel em veícu- los pesados (caminhões e ônibus), tem como alternativas três principais tecno- logias: motorização elétrica recarregá- vel, motorização híbrida diesel-elétrica e motorização a gás natural (gás natu- ral liquefeito ou gás natural comprimi- do). Todos os tipos de motorização es- tão plenamente desenvolvidas na Euro- pa, e comercializadas regularmente nos diversos países, como aponta Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria. “Considerando a necessidade de po- líticas públicas para incentivo a comer- cialização e desenvolvimento de moto- rizações alternativas, a introdução des- tas novas motorizações tem um longo caminho a percorrer no país. Atualmen- te, a principal aposta do poder público está nos biocombustíveis e deve se per- petuar nesta década, se contrapondo à introdução de motorizações alternati- vas”, apontou D’Elia, em artigo na Bra- sil Energia . Esse é, por sinal, um tema comple- xo, pois trata da competitividade da energia elétrica frente a outras fontes. O gás natural é o mais forte concorren- te, diante da oferta abundante, da tec- nologia já existente e da infraestrutura do combustível estar disponível em al- gumas capitais. Outro forte candidato é o etanol, que leva vantagem ambiental pelo fato de autocompensar as emissões pelo sim- ples – e óbvio – fato de ser um com- bustível de origem vegetal. E também é uma tecnologia já consolidada no país. Há outros concorrentes, mas mais distantes, como o biodiesel B100, puro, algo ainda dependente de tecnologias e testes, e o ultraincipiente hidrogênio verde, que ainda precisa enfrentar todas as barreiras de uma nova tecnologia. D’Agosto, da Coppe, avalia que o hi- drogênio seria mais apropriado para tra- jetos de média distância, como viagens rodoviárias (Rio-São Paulo, por exem- plo), onde o uso da eletricidade tende a ser mais complexo por causa da necessi- dade de baterias maiores e menos espa- ço para a regeneração cinética. Walter Pelizzari Jr, da VWÔnibus e Ca- minhões, considera que nem toda a fro- ta nacional vai aderir à eletrificação, que deve ficar circunscrita a grandes centros, e entende que para longas distâncias o óleo diesel ainda deve permanecer como a principal fonte de abastecimento, mas com protocolos mais rígidos de emissões de poluentes, restringindo a eletricidade a grandes centros urbanos. “Para distribuição urbana, o hidrogê- nio pode não ser a solução final. Pode ser para longas distâncias, onde se tem um custo baixo de aquisição de hidro- gênio, mas ainda há dúvidas mesmo na Europa, onde se avalia o uso do hidro- gênio na geração da energia em vez da adoção nos transportes”, diz. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=