Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

104 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA dos a combustível fóssil. O primeiro tem uma inicialização (ramp up) mais sua- ve, enquanto os motores mais antigos tem ramp ups por vezes muito violen- tos, não permitindo a instalação de sen- sores sensíveis. Para setores como o de saneamen- to básico, que necessita operar milhares de bombas em suas redes, o monitora- mento constante destes equipamentos e a possibilidade de paradas programadas para manutenção reduz custos e perdas. A liberalização do próprio merca- do energético aumenta a demanda por equipamentos eletroeletrônicos que per- mitam um monitoramento mais cuida- doso das operações produtivas. “Quan- do você entra no mercado livre você con- trata uma quantidade x de energia. Se passar disso você arrisca a ir buscar a di- ferença no mercado spot, que pode ter preços muito mais altos”, diz Jacobsen. Se de um lado, como lembra Jacob- sen, a migração para a indústria 4.0 pre- cisa de energia de qualidade e de equi- pamentos mais sensíveis, do outro, o aumento de uso de eletricidade permite ao setor produtivo brasileiro limpar ain- da mais sua pegada de CO 2 , eliminan- do a geração movida a combustível fós- sil das fábricas, que hoje podem não só comprar energia de fontes limpas, mas, como já estão fazendo, investir em seus sistemas de geração próprios. No entanto, enquanto o setor de ge- ração tem uma estrutura sólida de fi- nanciamento, inclusive com linhas de fi- nanciamento do BNDES, a indústria não conta com um programa estruturado por parte do governo para sua eletrifi- cação além de P&D de eficiência ener- gética. “As empresas têm que contar com uma envergadura financeira para suportar as necessidades de investimen- to”, lembra Bertoldo, da ABB. Mesmo assim, Sartori vê a eletri- ficação como um caminho sem vol- ta, já que empresas começam a se as- sociar com fornecedoras de soluções, como as montadoras de carros e o setor químico, para fornecer veículos elétricos e soluções energéticas lim- pas como o H 2 . É um movimento que busca a eficiência produtiva e a re- dução de emissões. “Há uma grande mola de geração de receita e até van- tagem competitiva, pois os consumi- dores estão muito atentos ao teor de carbono nos produtos e insumos que compram”, conclui. n Indústria mineira brasileira está inserida no contexto internacional tanto pelo produto que exporta quanto pelas multinacionais que atuam no país

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=