Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

106 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 TRANSIÇÃO ENERGÉTICA Walter Figueiredo De Simoni, do Talanoa: “O crédito de carbono não tem só um componente técnico, mas também político” Victor Ribeiro, da Thymos Energia: regulamentação a ser formulada no Brasil não pode considerar as térmicas como “inimigas do clima” A possibilidade é a de que a precifica- ção do carbono, com o mercado de seus créditos fluindo de forma organizada no Brasil, induza ao surgimento de novas tec- nologias de captura, que seriam benéficas para manter a matriz elétrica do futuro limpa e segura, sem o risco de ser afetada pela intermitência das fontes renováveis. A análise é do gerente de assuntos re- gulatórios da Thymos Energia, Victor Ri- beiro. Para ele, a oportunidade que po- de surgir com a precificação é de se de- senvolver no país, em uma fase seguin- te à contabilidade organizada e ao co- mércio dos créditos, o uso de tecnologias de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCUS, na sigla em inglês de Carbon Capture Utilisation and Storage). Esses sistemas, apesar de ainda terem custo elevado, que devem cair com o de- senvolvimento de novas rotas e o incen- tivo de vários governos e até de gran- des empresas de tecnologias (como Mi- crosoft e a Tesla, que criou um prêmio de US$ 100 milhões para quem inventar uma versão disruptiva para a solução), capturam até 90% das emissões de CO2 de indústrias e usinas de energia. Os CCUS, nesse futuro projetado por vários países, entre eles Austrália, Esta- dos Unidos e China, seriam instalados principalmente em usinas termelétricas a carvão, gás natural e até mesmo de óleo combustível, praticamente neutra- lizando as emissões e comercializando o gás para vários usos industriais. Apesar de a tecnologia aparentemen- te dar um “passe livre” para os combustí- veis fósseis, na avaliação de Victor Ribeiro a questão precisa ser encarada de outra for- ma. Na verdade, com a neutralização das emissões das térmicas, o sistema elétrico ganharia confiabilidade com fontes despa- cháveis e, ao mesmo tempo, permitiria a maior penetração das renováveis, que não colocariam em risco a segurança energéti- ca com a intermitência de solares e eólicas. “É um jogo de ganha-ganha”, diz. A visão desses países explica o fato de seus governos não terem assinado durante a Conferência do Clima, a COP 26, em novembro de 2021, em Glas- gow, na Escócia, o compromisso de di- minuir o uso e os subsídios a combustí- veis fósseis. E também explica o empe- nho que eles demonstram em criar po-

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=