Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022
Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 111 dos dois do São Francisco foram inclu- ídos Furnas e Mascarenhas de Moraes, no rio Grande, Itumbiara e Emborca- ção, no Paranaíba, Jupiá e Porto Pri- mavera, no Paraná, e Serra da Mesa, no Tocantins. Porém, em decorrência do retorno consistente das chuvas desde outu- bro, e especialmente a partir de de- zembro passado, na segunda semana de janeiro a ANA foi obrigada a fazer a primeira revisão no planejamento, invertendo a chave no São Francisco de gestão de escassez para contro- le de cheia. As vazões do Plano origi- nal vinham sofrendo críticas, especial- mente por inviabilizarem a piracema que ocorre entre novembro e março. “Em função das precipitações ele- vadas observadas desde o início de 2022, principalmente das altas vazões naturais afluentes ao reservatório de Três Marias, a bacia do rio São Francis- co se encontra em condição de cheia, com seus reservatórios operando para controle de cheias”, informou a Agên- cia em resposta a questionamento fei- to pela Brasil Energia a respeito de possíveis mudanças no planejamento acarretadas pelas chuvas. A ANA explicou ainda que “nessas condições, caracterizada a necessidade de operação para controle de cheias, é preciso aumentar as vazões defluentes praticadas com o objetivo de preservar os volumes de espera dos reservatórios. Esses volumes são projetados para su- portar as ondas de cheia e proteger as populações e estruturas abaixo das bar- ragens contra inundações”. O resultado prático é que as compor- tas do vertedouro de Três Marias foram abertas dia 14 de janeiro, em elevação progressiva, começando por 500 m³/s e chegando a 2 mil m³/s no dia 17 de ja- neiro, sempre com mais 850 m³/s de va- zão máxima turbinável. No caso de So- bradinho, a vazão defluente que estava fixa em 800 m³/s começou a subir no dia 12 de janeiro, com 1.000 m³/s, com plano de alcançar 4 mil m³/s no dia 24, ficando assim até o final do mês. Será a primeira vez desde feverei- ro de 2007 que a vazão de Sobradinho chega a 4 mil m³/s. Naquela época, for- temente pressionado pelas afluências, o reservatório precisou elevar os verti- mentos que, somados à vazão turbina- da, chegaram a 6.098 m³/s no dia 23. No período atual, Sobradinho al- cançou um armazenamento 62,07% na dia 13 (quando era elaborada essa matéria), mas com perspectiva de um longo período com afluências eleva- das até que, mesmo as chuvas arrefe- cendo, seja drenada toda água prove- niente dos afluentes de Minas Gerais, que demoram até 15 dias para chegar ao Norte da Bahia, onde está o reser- vatório. De acordo com o histórico do ONS, a maior defluência em Sobradinho no in- tervalo entre aquele período de 2007 e a cheia atual foi de 3.269 m³/s no dia 20 de março de 2012. O histórico reve- la ainda com clareza a extensão da crise
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