Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022
112 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 HÍDRICA hídrica que se instalou após 2013, com defluências máximas quase sempre abai- xo de 2 mil m³/s, sendo que em 2016 a maior vazão defluente de Sobradinho foi de 940 m³/s, no dia 1º de janeiro. De lado das afluências o quadro é pa- recido. Após alcançar 7.791 m³/s no dia 18 de março de 2007, Sobradinho en- frentou, após 2013, vários anos com pi- cos de afluências, no período úmido, pró- ximos a 2 mil m³/s ou com curtos períodos de vazões maiores do que 4 mil m³/s, co- mo em 2014, 2016 e, mais recentemen- te, em 2020. Importante destacar que, no caso das vazões defluentes, muitos dos picos ocorreram durante o período seco, ou seja, por necessidades energéticas e não por razões hidrológicas. O presidente do Comitê da Bacia Hi- drográfica do São Francisco (CBHSF), José Maciel Nunes de Oliveira, mostrou um misto de alívio e de uma ligeira apre- ensão com a reversão do quadro previs- to no Plano de Contingência da ANA, além de pesar pelos estragos e mortes já causados pelas cheias dos afluentes do São Francisco. O alívio, segundo ele, decorre do fato de que a vazão máxima de 800 m³/s prevista para vigorar durante to- do o período úmido em Sobradinho é importante embora não seja suficien- te para atender a todos os usos das águas, especialmente para a reprodu- ção dos peixes, além do combate à crescente salinização das águas no tre- cho mais próximo da foz. Na época da piracema, segundo Oliveira, o ideal é que o caudal esteja acima de 2 mil m³/s e que as águas estejam barrentas, fa- zendo os peixes ficarem desestressados para desovar. O dirigente do CBHSF disse que es- tranhou a intervenção da Creg após o entendimento dos órgãos envolvi- dos na gestão e nos usos das águas do rio que resultaram na Resolução ANA 2.081/2017. A apreensão resulta da possibilida- de de riscos trazida pela cheia. Com a nova orientação para aumento das afluências, Oliveira disse que o Comitê vem transmitindo pelos vários meios de comunicação disponíveis na re- gião avisos para que aquelas pessoas ou grupos que estão ocupando ilhas e áreas às margens do rio há muito se- cas para que deixem essas áreas, evi- tando os riscos trazidos pelo aumento rápido do caudal. Desde 2007, Sobradinho não recebia tamanho volume afluente, o que levou a ANA a também reprogramar as defluências
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