Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 45 de consumidora, teria pioneirismo no aproveitamento do novo cenário, fir- mando assim que possível contratos no incipiente ambiente livre de comerciali- zação. Mas não foi isso o que ocorreu. Aquela que poderia ser considerada a primeira disponibilidade de gás privado para o mercado livre, ou seja, a produ- ção que por determinação do TCC não pôde mais ser vendida para a Petrobras depois de findos os contratos entre os produtores e a estatal, foi quase toda negociada com as distribuidoras esta- duais em 2021. Com a exceção de dois casos isola- dos de contratos de consumidores livres (Unigel e Gerdau), viabilizados por en- volverem ainda a estatal nas negocia- ções, distribuidoras do Nordeste que aproveitaram o timing em meados do ano passado e, com chamadas públi- cas e contratos bilaterais, adquiriram a maior parte desse gás de produtores privados. Na Bahia, a Bahiagás a partir des- te ano terá apenas 16% do seu supri- mento atendido pela Petrobras (550 mil m³/dia). Os restantes 3 milhões de m³/d passam a ser fornecidos por sete pro- dutores, sendo que pela chamada pú- blica da distribuidora baiana de junho do ano passado três empresas fecharam contratos: Galp (900 mil m³/d), Shell (740 mil m³/d) e Equinor (324 mil m³/d). Em paralelo, também foram negociados pela Bahiagás em 2021 contratos bila- terais com a Origem (192,9 mil m³/d) e PetroReconcavo (500,8 mil m³), que se somam a pequeno contrato anterior com a ERG (40 mil m³). Além da Bahiagás, a Copergás, de Pernambuco, formalizou contrato com a Shell: em 2022 serão 750 mil m³/dia e, em 2023, o volume se elevará para 1 milhão m³/dia. Para se ter uma ideia, o fornecimento privado neste ano para a companhia pernambucana represen- tará 50% do total recebido, em pé de igualdade com a Petrobras e, em 2023, o gás da Shell passa a representar 66% do total. Completam o quadro de distri- buidoras com contratos privados novos a Potigás, do Rio Grande do Norte, com 236 mil m³ dia contratados com a Pe- troReconcavo (Potiguar E&P), e a PBGás, da Paraíba, com 80 mil m³/d também com a mesma produtora. Janela de oportunidade Não foi por falta de interesse que a in- dústria deixou de migrar para o merca- do livre. Pelo contrário, entre aproxima- damente julho e agosto de 2021 muitas empresas de grande porte estavam com essas mesmas propostas dos produtores privados na mesa, que acabaram sendo acertadas com as distribuidoras. O motivo para a reviravolta, segun- do o CEO da consultoria Gas Energy, Ri- valdo Moreira Neto, que estava assesso- rando na época várias indústrias, foi um conjunto de incertezas que impedia efe- tivar a migração na janela de oportuni- dade existente no meio do ano, na qual havia oferta e preços atraentes, além do

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