Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

46 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 GÁS firme interesse dos compradores em se livrar do monopólio da Petrobras. O principal entrave nessa época, diz, era a não definição pela ANP das tarifas aplicáveis ao serviço de transporte de gás para o ano de 2022 para as opera- doras dos gasodutos, a TAG e a NTS. Is- so só ocorreu no fim de outubro, quan- do de fato se tornou possível a oferta de capacidade firme mesmo sem chamada pública. Além de ter definido na mes- ma decisão a entrada de fatores locacio- nais, que introduzem a distância como um dos elementos para o cálculo tarifá- rio, só com o novo modelo tarifário pas- sou a ser possível fechar contrato de su- primento com os produtores privados. Mas aí já era tarde demais. Além disso, também não era possível para as indústrias já naqueles meses, e sem as certezas sobre a contratação do transporte, darem o aviso para as dis- tribuidoras de que no próximo ano elas migrariam para o mercado livre e não precisariam mais do gás do cativo. Ne- nhuma indústria se arriscaria a ficar no ano seguinte sem o importante insumo, empregado como combustível e como matéria-prima em boa parte das empre- sas, caso a migração de alguma forma não vingasse. Aliado ao movimento de aviso, as in- dústrias ainda precisariam fechar um novo contrato de prestação de servi- ço pela rede de distribuição. Isto é, pa- ra firmarem os contratos de compra em 2021, elas dependiam de um conjunto de operações coordenadas, demoradas e que precisariam ser antecipadas em alguns meses para permitir a migração em 2022, o que não foi possível. Sem esse cenário, todo esse gás foi comercializado de forma ágil entre agosto e setembro pelas distribuidoras do Nordeste, que fizeram chamadas pú- blicas ou negociações bilaterais ainda durante a janela de oportunidade. Hoje, aliás, essas distribuidoras aguardam o ajuste final no desenho da tarifação de transporte pela ANP, já que em alguns estados, como no Rio Grande do Nor- te, ainda não está definida a chamada parcela de balanceamento que compõe a tarifa. A agência afirma que definirá o percentual (considerado pequeno) em breve, sendo que isso não afeta o supri- mento acordado. Mobilização continua Embora essas migrações de indús- trias não tenham ocorrido, para Mo- reira já era esperado que o volume de gás privado em 2022 seria nesse pata- mar, ainda com percentual insuficiente para fazer frente ao monopólio. E mes- mo que o gás tenha ido para as distri- buidoras atenderem ao mercado cativo, segundo ele, não será de todo ruim, já que o custo da tarifa tende a diminuir para os consumidores das regiões. A única diferença do momento atual para o cenário previsto por muitos ana- listas era a de que a participação maior das indústrias, mais concentradas na re- gião Sul e Sudeste, poderia servir como vitrine das vantagens da abertura de

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