Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

54 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 EÓLICA Já os licenciamentos para parques onshore, em nível estadual, não con- templam essa preocupação, embora as empresas de energia e os fabricantes de aerogeradores saibam que por lei eles têm responsabilidade compartilhada pelos passivos ambientais. Pás que preocupam A demanda por descarte dos equipa- mentos dos parques, muitos deles loca- lizados em áreas remotas do interior do Nordeste brasileiro, estará presente seja ela qual for a alternativa escolhida para o parque em fim de vida útil. Os aerogeradores vão gerar resídu- os quando totalmente desmobilizados, caso que pode ocorrer se o empreen- dedor preferir mudar sua operação pa- ra outro local com melhores recursos eólicos ou simplesmente fechar o par- que, ou quando forem modernizados ou repotenciados, já que os equipa- mentos e demais componentes da usi- na precisarão ser trocados. E em todos esses casos a preocupa- ção maior será com as pás eólicas, com- ponentes muito grandes, que hoje che- gam a 20 toneladas, e que serão des- continuadas e trocadas em todas as ocasiões, pois a garantia de seu uso é para 20 anos. Já os demais equipamen- tos dos parques – disjuntores, transfor- madores, cabos elétricos, componen- tes eletrônicos, metais, concreto, óleo – não podem ser considerados desafios para o reaproveitamento, retrofit ou pa- ra o descarte, visto serem os mesmos utilizados por todas as outras usinas de energia, seja qual for a fonte. Além do volume de material, o com- plicador nas pás são os materiais não- -recicláveis usados em sua produção. Por volta de 85% do peso delas é for- mado por compostos de resinas (epóxi ou poliéster) impregnadas com fibras de vidro e carbono. As resinas utilizadas são chamadas tecnicamente de termofixas, ou seja, elas não retornam à condição original após serem trituradas e fundidas, co- mo ocorre com as resinas termoplásti- cas (por exemplo, os polietilenos), que podem ser de novo processadas. Essa característica das pás faz com que as únicas alternativas atuais sejam o descarte em aterros depois de tritura- das, o que é o mais empregado hoje em mercados eólicos maduros, com o euro- peu, ou então o tratamento térmico, ou seja, a queima das pás, também frag- mentadas, em fornos apropriados. Embora no Brasil ainda não exista a demanda por destinação de pás, a Aeris, a principal fabricante do Brasil, hoje destina as rebarbas de compos- tos de resina epóxi e fibras resultan- tes da sua produção para queima em forno de cimento. Segundo disse à Brasil Energia o di- retor de planejamento e relações com investidores da Aeris, Bruno Lolli, da produção total de 200 pás por mês, que equivalem a 3.600 t/m, são gerados em média 1.000 t de resíduos, sendo que desse total 200 t/mês são dos compos-

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