Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022
Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 69 quinzena, e para o restante do período úmido ainda estão bem incertas, já que o Pacífico Equatorial está mostrando muita variabilidade, e os modelos não estão sendo capazes de reproduzi-las”. De acordo com Cataldi, o atual perí- odo úmido está muito bom para o sub- sistema Norte e para a maior parte do Nordeste. Para o SE/CO, o subsistema decisivo para o armazenamento do SIN (corresponde a cerca de 70% do total), as chuvas estão muito próximas da mé- dia histórica, tendo ficado acima em ou- tubro, no chamado pré-período úmido. Então significa que não houve crise, co- mo disse o ministro? Cataldi discorda com veemência: “Bem, chegar à casa dos 16% [16,49% em 06/10/2021] de armazena- mento no SE/CO e dizer que não houve uma crise energética deveria ser considera- do como a fala de um leigo”. Ele aponta o uso intensivo de térmicas fora da ordem de mérito e os esforços do ONS para flexibili- zar as restrições hídricas nas diversas bacias como argumentos adicionais a comprovar que a crise efetivamente existiu. Segundo Cataldi, passado o perío- do em que a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) provocou chuvas tor- renciais e cheias, primeiro na Bahia (de- zembro) e depois em Minas Gerais, Espí- rito Santo e Norte do Rio de Janeiro (pri- meira quinzena de janeiro), a tendência até pelo menos parte de fevereiro é de predomínio dos bloqueios atmosféricos. Os bloqueios tendem a barrar as frentes frias, trazendo calor e reduzindo em mui- to as chuvas, que nessa fase ficam restritas às pancadas de final de tarde, e as afluên- cias. Sob efeito de La Niña, o Sul e o SE/CO são os mais atingidos, reduzindo ou até in- vertendo a recuperação dos reservatórios. Mas o meteorologista ressaltou que, até aquele momento, só era possível prever o comportamento climático até fevereiro. Histórico recente não favorece Com base na evolução dos armazena- mentos a partir de outubro e nas perspec- tivas hidrológicas, além das medidas que foram tomadas para favorecer a recupe- ração dos reservatórios sem afetar a ofer- Márcio Cataldi, da UFF: Previsões para o restante do período úmido ainda estão incertas Roberto Brandão, do Gesel/ UFRJ: “Só uma não esperada recuperação econômica pode trazer transtornos em 2022” Renato Queiróz, do Instituto Ilumina: tendência de recuperação econômica impulsionada pelo ambiente de eleições gerais este ano
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