Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

70 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 HÍDRICA ta de energia, o ONS, na transição do pe- ríodo seco para o úmido, traçou cenários segundo os quais ao final de abril deste ano o armazenamento no SE/CO alcança- rá entre 55% e 58%. Um levantamento feito pela Brasil Energia nos dados históricos do próprio Operador (Boletim Diário da Operação – BDO) a partir de 2015 mostrou que o re- sultado previsto pelo ONS foi alcançado apenas uma vez no período pesquisado. Em 2015/2016, último período úmido ex- cepcionalmente favorável, o armazena- mento no subsistema SE/CO chegou a 1º de maio de 2016 com 57,60%, mesmo assim, partindo de um patamar já elevado em 1º de dezembro de 2015 (27,56%). Em condições iniciais parecidas com as do atual período úmido, que partiu de 19,77% em 1º de dezembro de 2021, o melhor resultado é o de 2019/2020, quando o armazenamento na partida es- tava em 18,95% e os reservatórios do subsistema chegaram a 54,86% na aber- tura do período seco de 2020. Naquele período, a aceleração aconte- ceu em fevereiro e março, quando o volu- me acumulado saiu de 24,90% em 01/02 para 51,56% em 1º de abril de 2020. Para este ano, se o comportamento de La Niña retomar o que era esperado no começo de dezembro passado, fevereiro e março se- riam os meses menos favoráveis. Mas, conforme ressaltado por Brandão, há outro dado que pode vir a favorecer o aumento do volume dos reservatórios, tan- to no SE/CO quanto no Nordeste. É que o Plano de Contingência Para Recuperação dos Reservatórios do SIN, elaborado pela ANA em outubro do ano passado, restrin- giu emmuito as defluências nos reservató- rios estratégicos como Furnas, Itumbiara, Emborcação, Sobradinho e Serra da Mesa. Mantidos os padrões de defluência, to- dos estabelecidos em resoluções específicas da agência que cuida das águas, o especia- lista avalia que o plano dará forte contribui- ção para que a meta do ONS seja alcança- da. A contrapartida é a eventual necessida- de de despacho maior de térmicas fora da ordem de mérito e suas consequências ne- gativas sobre o preço da energia. Renato Queiróz, do Instituto Ilumina, destaca outros pontos, pelo lado da de- manda, que podem atrapalhar os planos de recuperação ou encarecer mais ainda a energia. Na sua avaliação, 2022 sendo um ano eleitoral, a tendência é de que haja al- guma recuperação econômica impulsiona- da pelo ambiente de eleições gerais. Na mesma direção, um possível alívio da pandemia, considerando a hipótese de baixa letalidade da variante Ômicron, seria outro fator de estímulo à retomada econô- mica. E a perspectiva de temperaturas mais elevadas na sequência do verão, diferen- temente das que prevaleceram até agora, poderia ser outro fator a pressionar o con- sumo de energia. “Então, chegar a este ponto com 28% de acumulação [27,80% no dia 04/01/22] não é ainda para come- morar. Eu não estou otimista”. A conclusão geral que fica é de que o cli- ma de incertezas ainda prevalece, embora tenham surgido recentemente argumentos do lado positivo do ponto de vista do SIN. n

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