Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
10 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 ENTREVISTA FERNANDA DELGADO rante a sustentabilidade da transição energé- tica porque tem que ser economicamente viá- vel no final do dia. Isso mantém essa transição energética acontecendo, você garante a sus- tentabilidade da segurança energética atrela- da às infraestruturas você já tem. E o que se tem? Hoje o que se tem para lançar mão de forma mais rápida é o óleo e o gás. Então, você pede para aumentar. É claro que isso é uma análise em primeiro momento. Ninguém consegue aumentar a produção de uma ho- ra para outra. É claro que existe espaço para outros players no mercado e abre flanco para o Brasil atrair mais investimentos, certamente abre. O Brasil não tem esses riscos geopolíti- cos como Rússia, Nigéria e Arábia Saudita, e passa a ter uma luz ainda maior do mercado internacional. Você vislumbra mudanças expressivas no mercado de óleo e gás no fim da guerra? Enxergo mudanças nas narrativas, nos comportamentos, não exatamente na mu- dança física do mercado. Os contratos vão continuar sendo respeitados, o barril, a oferta, a demanda etc., mas a narrativa muda. Agora, finalmente, acredito que al- guma parte da sociedade vai entender de uma forma melhor que a indústria do pe- tróleo faz parte da própria sociedade, que ela não é uma vilã, que está aqui para, de alguma forma, impulsionar. A indústria do petróleo abraça e entende a transição energética e pode ser uma grande prove- dora de tecnologia. Hoje, 1% de toda a re- ceita da indústria do petróleo é utilizada em P&D. Essa é a oportunidade de mudan- ça de narrativa. E vamos conseguir alcançar a sociedade efetivamente para mudar a narrativa? Acho que essa é a oportunidade da mu- dança de narrativa e estou dizendo o que eu acho que muda. Se a gente vai conseguir ou não é uma outra questão. Acho que muda a percepção de valor da indústria de óleo e gás na sociedade. É uma indústria que pode corroborar com a transição, que vai ser vis- ta como mais importante, como agregado- ra de valor, que aporta tecnologia, que tem formas de compensar a sua pegada de car- bono e de contribuir com o desenvolvimen- to tecnológico, além de ser a maior gerado- ra de riqueza, renda e emprego…Ou seja, as externalidades positivas são muito maio- res que os subsídios que são dados ou do que as próprias externalidades negativas da indústria. Aliás, todos os recursos energé- ticos têm uma quantidade enorme de ex- ternalidades tanto positivas quanto negati- vas. Então, acho que essa percepção de va- lor da indústria muda. Essa vilanização que vem acontecendo na indústria de óleo e gás há alguns anos perde um pouco o foco ago- ra nesse período da crise. Pelo menos seria uma boa hora para que essa narrativa fosse espraiada e entendida dessa forma: ‘Olha, não estamos aqui para prejudicar ninguém’. Tudo tem insumo de petróleo. Se você eli- mina a indústria do petróleo totalmente, que é o que os ativistas ambientais aprego- am, não há como subsistir. Não é só uma matriz de transporte que se tem que trocar. Se fosse, seria até mais fácil. O IBP projeta desdobramentos mais especí- ficos da guerra para o Brasil, sejam positivos
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