Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

110 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 GÁS O que a agência adiantou é que o acesso de terceiros às instalações po- derá ocorrer em modalidade regulada (em que, resumidamente, a autorida- de regulatória aprova o valor da tari- fa) ou negociada (em que os valores são negociados entre as partes). “Va- le destacar, no entanto, que caso sur- ja um projeto concreto antes da regu- lamentação se concretizar, será ava- liada a modalidade de acesso caso a caso”, escreveu a ANP. A única autorização emitida pela ANP para a atividade de ESGN foi para a Stogas, no campo de Santana (BA), em 2015. Procurada, a empresa não quis se manifestar sobre o andamento do projeto. Outros entraves A ESGN pode ser feita em estrutu- ras geológicas naturais (reservatórios depletados, aquíferos e cavidades sali- nas) ou artificiais. Em reservatórios es- gotados, a estocagem permite desen- volver uma nova atividade econômica para campos que tenham sido devol- vidos ou para os quais a produção de gás não seja mais viável. Do ponto de vista do E&P, o aces- so pleno aos dados dos campos e poços é fundamental. Mas, segundo Heloísa Borges, diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, ainda existem muitas áreas sem informações ou com informa- ções desatualizadas. “Um dos entra- ves é a necessidade de avançar nos requisitos técnicos para aprimorar a caracterização das áreas, que se be- neficiariam de novos estudos sísmi- cos e informações sobre a integrida- de dos poços”, avalia. Em 2020, a EPE analisou o poten- cial de estocagem em 35 campos ter- restres depletados. Eles foram elen- cados a partir de dois critérios: i) a produção acumulada do campo du- rante sua vida útil deve ter sido de pelo menos 200 milhões de m³ de gás, possibilitando a instalação de uma ESGN com pelo menos 100 mi- lhões de m³ de gás útil; ii) estar loca- lizado a uma distância de até 15 km da malha de gasodutos de transpor- te existente, simplificando a conexão aos clientes pela construção de du- tos curtos. Ao final, apenas três campos tiveram produção acumulada de gás natural su- perior a 200 milhões de m³. Foram eles: Barra do Ipiranga/ES (1,4 bilhão de m³), Rio Barra Seca/ES (744 milhões de m³) e Fazenda Boa Esperança/BA (297 mi- lhões de m³). Para além dos riscos regulatórios e geológicos, Heloísa chama atenção para o fato de que outros desafios es- tão postos à consolidação da atividade no Brasil, como a avaliação dos custos iniciais de implantação de ESGN e do gás de colchão requerido (e da aloca- ção destes custos no projeto) e da dis- ponibilidade de instalação de infraes- trutura de estocagem próxima à ma- lha de transporte.

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