Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 109 entretanto, a companhia ainda precisa adquirir a fatia de 35% da Petrobras, operadora do campo, além de obter o aval da ANP para estender o prazo de concessão, que expira em 2029, e im- plantar o projeto de estocagem. O caso acima é emblemático. Afinal, o Brasil produz, reinjeta e importa gás, mas ainda não o armazena no subsolo. O mercado ainda desconhece, de fato, os benefícios desta tecnologia centená- ria capaz de fornecer serviços de flexibi- lidade para lidar com demandas de cur- to prazo. Isso se deve, principalmente, à escolha do GNL como alternativa domi- nante à demanda termelétrica. O arma- zenamento de gás em formações geo- lógicas, contudo, pode ser um mecanis- mo capaz de gerenciar a sazonalidade do risco hidrológico, a inflexibilidade do gás do pré-sal, a exposição à oscilação de preços e o balanceamento da rede de transporte. “Nem todas as demandas podem ser supridas pelo GNL. Diante disso, é na- tural que a gente vá precisar de estoca- gem no Brasil. O problema é que ainda não existe um desenho de mercado para desenvolvê-lo”, afirma Edmar Almeida, pesquisador do Instituto de Energia da PUC-RJ. Para ele, o investimento em es- tocagem esbarra na falta de regulação. “A rigor, não existe. O que há é apenas o regime de autorização da ANP”, disse. Por ora, as incertezas recaem so- bre a definição tarifária, o processo de alocação de capacidade, a regulamen- tação do acesso de terceiros às insta- lações de ESGN e o período em que o acesso não será obrigatório. À Brasil Energia , a ANP informou que os crité- rios estão sendo avaliados e serão ob- jeto de regulamentação, nos termos da nova lei do gás. Edmar Almeida, pesquisador do Instituto de Energia da PUC-RJ: não há modelo de negócio sem regulação Helder Ferraz, da NTS: estocagem em cavernas salinas é uma solução técnica recomendada Heloísa Borges, diretora da EPE: riscos regulatórios, geológicos e econômicos dificultam ESGN Ovídio Quintana, da TAG: a “flexibilidade flutuante” dos terminas de GNL custa caro para o país
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