Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 123 to do mercado, ainda que o acordo le- gislativo tenha representado um avanço. Segundo Leodonio, até 2014 os ní- veis de adimplência nas liquidações do mercado de curto prazo ficavam entre 90% e 95%, e mesmo assim “já ha- via insatisfação de diversos agentes que consideravam o nível de inadimplên- cia alto”. Com a judicialização do GSF, os agentes que não possuíam liminares passaram a receber valores abaixo de 1% do devido e, em alguns meses, não receberam nada. “Após a publicação da Lei 10.052, vimos uma melhora expressiva, com os agentes não protegidos por liminares recebendo acima de 20% do contabi- lizado ao longo de 2021, chegando a 61% na liquidação do mês de setem- bro”, disse. O coordenador da Trinity acrescentou que já era esperado algum nível de inadimplência, seja por proble- ma de fluxo de caixa de parte dos agen- tes, seja por discordância em relação às extensões das outorgas calculadas. Mesmo entendendo que o fato de o passivo da conta do GSF na CCEE ter chegado a cerca de 10% de um volume que já foi superior a R$ 10 bilhões é po- sitivo, Leodonio argumentou que esse passivo que permanece, segue impac- tando significativamente as liquidações do mercado de curto prazo, tanto que a adimplência segue longe dos níveis an- teriores a 2015. “Para que o mercado volte à normalidade, é necessário que haja celeridade do Poder Judiciário em julgar as liminares”, concluiu. Em posicionamento enviado à Bra- sil Energia , a CCEE “considera o ano de 2021 uma virada de chave na ques- tão do GSF”, ressaltando que o merca- do vinha operando com R$ 10 bilhões em aberto e que atualmente opera com cerca de 10% desse valor. A CCEE destacou ainda que em 2021 os agentes pagaram normal- mente seus débitos correntes rela- cionados ao GSF, ou seja, não foram acumulados novos passivos. Em rela- ção às liminares que permanecem, a Câmara disse que “segue à disposi- ção dos agentes para encontrar a me- lhor solução para o mercado”. n Leontina Pinto, da Engenho Consultoria: “Um bilhão de reais não é resíduo e não tem graça nenhuma” Michel Leodonio, da Trinity Energia; passivo segue impactando as liquidações do mercado de curto prazo Diogo Lisbona Romeiro, da FGV Ceri: solução do passivo que a Lei 14.052 viabilizou foi um avanço

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