Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 129 M uito se fala sobre a im- portância da participa- ção feminina no merca- do de trabalho durante o mês em que se comemora o Dia Interna- cional da Mulher (08/03). Este é um tema que vem sendo cada vez mais discutido ao longo dos anos, já que mais empre- sas estão reconhecendo os benefícios de ter maior diversidade – de gênero, raça, orientação sexual etc. – em seus quadros de funcionários. Apesar de responderem por 48% da força de trabalho global, as mulheres re- presentam apenas 22% do setor de ener- gia tradicional, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Elas configuram apenas 13,9% da alta administração dentro do compos- to de energia e concessionárias, o que é marginalmente menor do que na amos- tra de indústrias não energéticas (15,5%). A agência considera que as barreiras que as mulheres enfrentam na área de energia são semelhantes às que enfren- tam em outros lugares da economia. No entanto, os desafios do setor são mais prementes, pois ele está passando por um processo de transição para fontes limpas. Isto exige a adoção de soluções e mode- los de negócios inovadores e maior parti- cipação de um conjunto diversificado de talentos, aponta a IEA. No segmento de fontes renováveis, o cenário é um pouco melhor: as mulhe- res representam 32% dos trabalhadores mundiais, segundo a Agência Internacio- nal de Energia Renovável (Irena). Já a Fesa Group desenvolveu um estudo sobre a participação feminina, consideran- do as 25 maiores empresas de energia atu- ando no Brasil, nos segmentos de geração, transmissão, distribuição e comercializa- ção, mapeando um total de 238 profissio- nais. O resultado mostra que 19%dos car- gos são exercidos por mulheres, sendo que apenas 6% atuam nas posições de negó- cios, como diretora executiva ou líder das áreas de Operações, Manutenção, Novos Negócios ou Engenharia/Construção. Dedicação Yasmina El-Heri e Mariana Rodrigues, respectivamente, especialista em Regula- ção, Estudos de Mercado e Comercializa- ção de Energia Elétrica e coordenadora de Regulação e Estudos de Mercado da GNA, são exemplos de profissionais que se dedi- cam à área de energia. Graduada e mestre em Engenharia Elé- trica pela Universidade Federal Fluminen- se, com ênfase em Sistemas Elétricos de Potência, Yasmina, de 31 anos, foi uma das apenas quatro mulheres em uma tur- ma de 40 alunos. Os homens também eram maioria no corpo docente. Ela recorda que só teve uma professora na universidade. “Sempre tem ‘piadinhas’ no início. Alguns me diziam que engenharia era coisa de homem. Com o tempo, aprendi a me impor mais”, afirma. Observando os eventos do setor, Maria- na, de 30 anos, conclui que a presença fe- minina está maior, com mais mulheres par- ticipando não somente como ouvintes, mas como palestrantes. Mestranda do Programa
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