Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
130 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 EMPRESAS de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ e graduada em Engenharia Química pela mesma universidade, ela vê com entusias- mo a existência de programas de mentorias para mulheres que atuam no setor promo- vidos por profissionais mais experientes. O quadro de funcionários da GNA é composto por 51% mulheres e 49% ho- mens, sendo que 31% do time feminino está em cargos de liderança. Em 2018, a GNA lançou o Programa de Qualificação Profissional com cursos gratuitos para mo- radores da região de São João da Barra (RJ), onde desenvolve projetos termelétricos. A procura do público feminino foi tão grande que a empresa montou uma tur- ma de soldadora exclusivamente feminina. Cerca de 650 mulheres trabalharam nas obras de construção da UTE GNA I. A ex- pectativa da empresa é lançar ainda neste ano mais uma edição do programa para a construção da UTE GNA II. Outro ponto de destaque da empresa foi o lançamento do Programa de Comba- te à Violência de Gênero, que foi reconhe- cido como case de referência pela IFC (In- ternational Finance Corporation), membro do Grupo Banco Mundial. Rede de apoio Diante da baixa representatividade fe- minina, Ligia Schlittler, sócia do Felsberg Advogados, criou um grupo de trabalha- doras do setor energético. Chamado Mu- lheres de Energia, o grupo foi fundado em junho de 2020 e reúne atualmente 54 profissionais. Elas formaram uma rede de apoio e de troca de conhecimento, se re- únem uma vez por mês, para debater um tema específico. Formada em Direito pela UERJ, Ligia trabalha hoje com regulação do setor elé- trico e fusões e aquisições, com foco em energia renovável. Começou no ramo no ano de 2007, atuando em projetos eó- licos em Fortaleza (CE). Desde então, se apaixonou pela área e se especializou em energia e meio ambiente. Ela conta à Brasil Energia que por muito tempo negou que existiam barrei- ras de gênero. Mas, com o amadureci- mento, viu que os números são reais, de poucas mulheres em posições de lideran- ça em determinados setores, empresas e escritórios, alémde poucas oportunidades de ascensão de carreira. “Depois parei pa- ra pensar e entender que já vivi situações discriminatórias. Como, por exemplo, um advogado da outra parte me chamar de ‘a menina do escritório tal’, e eu, com 41 anos, levava na brincadeira. Mas, naquela situação, ele quis me desmerecer publica- mente, diminuir a minha expertise”. Dupla jornada À frente da fintech Meu Financia- mento Solar, do banco BV, está a direto- ra comercial Carolina Reis. Formada em Administração de Empresas pela Uni- versidade Mackenzie, iniciou sua carrei- ra no mercado financeiro, em fundos de private equity. Em 2015, entrou na área de energia como gerente comercial do Portal Solar, onde foi criada a solução de crédito do BV voltada à geração da fonte renovável.
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