Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 131 Em expansão, o Meu Financiamento Solar estima gerar neste ano R$ 1 bilhão por mês em solicitações de financiamen- to para sistemas fotovoltaicos para casas e empresas no Brasil. O time total da fin- tech é composto por 68% mulheres, en- quanto a liderança é 71% feminina. A di- retora explica que a participação majori- tária feminina não foi uma estratégia da empresa, aconteceu naturalmente. Carolina tem uma filha e está atual- mente no sétimo mês de gestação. Ape- sar de desafiador, ela consegue conciliar o papel de mãe e o de executiva. E sugere que as organizações dêem a “chance pa- ra que uma mulher entre na gestão para ver o quanto o negócio pode ser tocado de uma forma muito competente”. O caso do Meu Financiamento So- lar não representa a realidade de todo o mercado de energia solar. As mulhe- res são minoria nas empresas do se- tor solar brasileiro, representando ape- nas 32% da mão de obra na média do período de 2012 a 2019, contra 68% de homens, dentro de um universo de 1.268 empresas analisadas. A maioria das mulheres que atuam no setor solar (92,8%) afirma que há barrei- ras ou desafios para a inserção e perma- nência feminina, destacando-se o machis- mo e o preconceito, bem como a falta de credibilidade na qualidade do trabalho desenvolvido por elas, especialmente nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenha- rias e Matemática. Os dados são do estudo “Energia solar no Brasil: quais são as barreiras e oportu- nidades para as profissionais mulheres no setor?”, elaborado em 2021 pelo C40 Ci- ties Finance Facility (CFF) em parceria com a Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (Mesol). Liderança Outra empresa que se destaca na participação feminina é a transmissora de energia ISA CTEEP, cuja diretoria exe- cutiva conta com três representantes fe- mininas, de um total de cinco colabo- radores, representando, portanto, 60% do quadro. Em todo o Grupo ISA, o corpo geren- cial de 29% é representado por mulheres, contra uma média de 18% em empresas da América Latina, segundo pesquisa re- alizada pela International Business Review em 2020. A companhia, há cinco anos, também promove a participação de mu- lheres em todos os conselhos de adminis- tração de suas subsidiárias. A diretora executiva Gabriela Desirê é a primeira mulher a estar à frente da área de operações da ISA CTEEP e lidera uma equipe com cerca de mil profissionais, o que representa aproximadamente 70% do quadro total de colaboradores da transmissora. As demais diretoras execu- tivas atuam nas áreas de estratégia e de- senvolvimento de negócios e finanças e relações com investidores. Há ainda uma diretora de talento organizacional. Os exemplos de superação e de con- quista feminina ainda não são muitos – o caminho é longo, mas muitas já estão em movimento. n

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