Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 13 A guerra da Rússia contra a Ucrânia trouxe a questão da segurança para o pri- meiro item da pauta do setor energético global, e um de seus principais efeitos reside na nova con- figuração e novo timing da transição energética. No atual cenário, a gera- ção nuclear, cuja ampliação enfrenta resistência internacional, pode voltar à agenda do setor. Dois especialistas, Joisa Dutra e Dio- go Lisbona Romeiro, a primeira diretora do Centro de Estudos e Regulação em Infraestrutura (Ceri) da FGV e o segun- do pesquisador da mesma instituição, avaliam que o conflito armado no Les- te Europeu e as restrições à importação de gás e petróleo da Rússia decorrentes da guerra levarão os demais países a re- verem seus planos contrários à instala- ção de centrais nucleares e a investirem no desenvolvimento de tecnologias se- guras voltadas para esse nicho. Isso, na- turalmente, se não houver acidentes no meio do caminho. “O espaço para a energia nuclear mudará com esse conflito. A Europa fez investimentos pioneiros em renováveis, pagou caro por isso, e já tem planos de hidrogênio, em longo prazo. Os países europeus continuarão com projetos em fontes renováveis, mas a curto prazo te- rão que diversificar a matriz energética em substituição ao gás”, disse Romeiro. Em 2021, a União Europeia impor- tou, em média, mais de 380 milhões de metros cúbicos por dia de gás da Rússia, equivalentes a cerca de 140 bilhões de metros cúbicos/ano, con- forme dados da International Ener- gy Agency (IEA), organização ligada à OCDE, com 30 países membros. As importações totais da Rússia por par- te dos países do bloco, incluindo GNL, representaram 45% das importações de gás da UE em 2021 e quase 40% do seu consumo total de gás. Diante de números dessa magnitu- de, a curto prazo, segundo o pesqui- sador do Ceri/FGV, apenas o carvão tem condições imediatas de atender a demanda por energia do continen- te e ganhar espaço como fonte gera- dora, apesar dos compromissos assu- midos por parte da Europa em reduzir emissões, substituindo combustíveis fósseis por geração limpa. O gás rus- so, em contrapartida, deverá ter como destino o continente asiático. Do ponto de vista climático, o mo- mento também requer cautela. Relató- rio recente da IEA revela que as emis- sões globais de dióxido de carbono re- lacionadas à energia aumentaram 6% em 2021, para 36,3 bilhões de tonela-

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