Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
14 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 TRANSIÇÃO ENERGÉTICA das, nível mais elevado da história. Isso ocorreu em função da recuperação da economia mundial após o auge da cri- se do Covid-19, quando o setor energé- tico passou a depender fortemente do carvão para impulsionar o crescimen- to econômico. O carvão foi responsável por mais de 40% do aumento das emis- sões globais de CO 2 em 2021, atingindo o recorde de 15,3 bilhões de toneladas. Mas, apesar da expansão do uso do carvão, as fontes de energia renovável e a energia nuclear forneceram parcela supe- rior para geração elétrica global, no ano passado. De acordo com o relatório da IEA, o uso do carvão para eletricidade em 2021 foi intensificado pelos preços recor- des do gás natural, e os custos de opera- ção de usinas a carvão nos Estados Uni- dos e na Europa foram bem inferiores aos de usinas a gás. O resultado foi o aumen- to de emissões globais de CO 2 da geração elétrica em mais de 100 milhões de tone- ladas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, onde a concorrência entre as usinas a gás e a carvão é mais acirrada. Joisa Dutra observa que, apesar de to- da incerteza que cerca o panorama atual, a guerra trará desdobramentos importan- tes do ponto de vista energético. “Em um cenário onde o desfecho seja mais rápido, a Europa deverá revisitar as condições de segurança, com provável crescimento do mercado de GNL. A Rússia tem feito ame- aças com relação às centrais nucleares e, em caso de acidente nuclear, isso conta- minará a implantação de novas centrais. O que sobra?”, questiona. O desfecho da guerra influenciará as respostas mas, a seu ver, Índia e China con- tinuarão com suas apostas de garantir se- gurança de suprimento, podendo realizar grandes investimentos em renováveis, mas sem abrir mão de combustíveis fósseis. Já a Europa seguirá caminho inver- so. A tendência, passada a fase emer- gencial do uso de carvão, é da expan- são de fontes renováveis na matriz e de aumento da diversificação em relação a GNL e, naturalmente, de continuidade de alta nos preços no curto e no médio prazo. Em caso de acordo em torno da guerra, as centrais nucleares terão papel mais importante. E no Brasil? No caso brasileiro, o país se vê diante da oportunidade de traçar estratégias de redução das dependências de combus- tíveis fósseis, a exemplo do que ocor- reu durante a crise do petróleo na déca- da de 70 a partir dos investimentos na produção de etanol, à época. Com rela- ção ao gás, Dutra observa que o merca- do nacional, que passou por três ondas na tentativa de promover mudanças, a primeira delas ainda nos anos 90, sem conseguir realizar adequada integração do gás com energia elétrica, deveria es- tar atento ao momento. Ou seja, levar adiante o que chamou de transição virtuosa, uma vez que o País dispõe do gás natural do pré-sal. “Se aprovássemos um marco funcional conseguíramos fazer com que os preços chegassem aos consumi- dores de forma melhor que hoje”, disse. n
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